Acesso gratuito ao Implanon é ampliado com mais de 10 mil unidades em estoque

Por Ana Sampaio

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) dispõe de um estoque de 10.095 unidades do contraceptivo Implanon para aplicação gratuita nas unidades básicas de saúde (UBSs) da capital federal. O método, incorporado recentemente ao Sistema Único de Saúde (SUS), começou a ser oferecido neste ano após a chegada do lote enviado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2025.

O Implanon é um implante subdérmico liberador de etonogestrel — hormônio que impede a ovulação — com eficácia superior a 99% e duração de até três anos, consolidando-se como um dos métodos contraceptivos reversíveis de longa ação mais seguros disponíveis. A inserção é simples e realizada por médicos ou enfermeiros com anestesia local no braço.

Diferentemente de contraceptivos orais ou injetáveis, que dependem da adesão diária ou frequente da usuária, o Implanon garante proteção contínua ao longo de anos, representando uma alternativa eficaz para a prevenção de gestações não planejadas, com potencial impacto positivo nas taxas de saúde reprodutiva da população atendida pelo SUS.

Critérios de prioridade

A oferta gratuita no DF, no entanto, está sendo realizada de forma planejada e inicialmente restrita a públicos prioritários definidos pela SES-DF, com foco em pessoas em situação de maior vulnerabilidade social ou com necessidades clínicas específicas. Entre os grupos contemplados estão adolescentes entre 14 e 19 anos; vítimas de violência doméstica e sexual; mulheres privadas de liberdade; moradoras de áreas rurais; mulheres com deficiência ou condições de saúde que contraindiquem gestação; indígenas, imigrantes e refugiadas; profissionais do sexo; mulheres com endometriose profunda; além de homens trans que desejam contracepção.

Embora o Ministério da Saúde recomende a disponibilização do método para mulheres de 14 a 49 anos, a definição do público-alvo e da estratégia de implementação cabe às secretarias estaduais e municipais, que no caso do Distrito Federal optaram por critérios que priorizam equidade e grupos em situação de maior necessidade.

Expansão do acesso e desafios

A ampliação da oferta do Implanon a outros segmentos da população dependerá do recebimento de novos lotes e da capacitação técnica de equipes de atenção primária à saúde para a prática de inserção segura e eficiente. Segundo a SES-DF, o processo de implementação é estratégico e controlado, com aumento gradual do número de procedimentos realizados.

Especialistas em saúde reprodutiva veem na iniciativa uma oportunidade de ampliar o planejamento familiar e reduzir taxas de gravidez não planejada, especialmente entre grupos com menor acesso a métodos contraceptivos eficazes. A oferta gratuita também contribui para a redução de desigualdades em saúde e está alinhada a metas de políticas públicas nacionais de saúde reprodutiva.

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