Por Gaby Sanatana
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 continua em discussão no Congresso Nacional e agora será analisada pelo Senado Federal. O texto aprovado pela Câmara dos Deputados propõe a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso por semana sem redução salarial.
Atualmente, a Constituição Federal permite jornada máxima de 44 horas semanais, modelo utilizado por grande parte do comércio, supermercados, restaurantes, hotéis e setores de serviços. Na prática, muitos trabalhadores atuam seis dias consecutivos e folgam apenas um.
De acordo com informações divulgadas pela Agência Senado, a proposta prevê uma transição gradual para adaptação das empresas e trabalhadores. Inicialmente, a carga horária semanal cairia de 44 para 42 horas. Após um período de até 12 meses, a jornada seria reduzida definitivamente para 40 horas semanais.
Outro ponto previsto no texto é a manutenção dos salários dos trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta também mantém o limite diário de oito horas de trabalho.
O tema tem provocado debates em diferentes setores da sociedade. Trabalhadores defendem que a redução da jornada poderá proporcionar mais qualidade de vida, descanso e convivência familiar. Nas ruas de Mutuípe, moradores ouvidos pela Rádio Interativa FM afirmaram que a mudança pode ajudar no equilíbrio entre trabalho, saúde e vida pessoal.
“A gente passa grande parte da vida trabalhando. Com mais tempo de descanso, vai ser possível ficar mais com a família e cuidar mais da saúde”, comentou uma trabalhadora durante entrevista à reportagem.
Especialistas citados pelo Senado Federal também apontam que jornadas extensas podem contribuir para casos de ansiedade, estresse e adoecimento emocional relacionados ao excesso de trabalho.
Por outro lado, empresários e representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os impactos da mudança, principalmente para pequenos comerciantes que possuem equipes reduzidas.
Entre os principais pontos levantados pelo setor empresarial estão possíveis aumentos nos custos operacionais, necessidade de novas contratações e reorganização das escalas de trabalho.
Mesmo diante das divergências, o debate sobre redução da jornada não é novo no Brasil. Mudanças trabalhistas anteriores, como férias remuneradas e 13º salário, também enfrentaram resistência durante os períodos de implantação.
A proposta ainda precisará passar pelas comissões do Senado Federal e ser aprovada em dois turnos no plenário da Casa. Para entrar em vigor, o texto necessita do apoio mínimo de 49 senadores. Caso haja alteração no conteúdo aprovado pelos deputados, a matéria retornará para nova análise da Câmara antes de entrar em vigor em todo o país.

