Por Gaby Santana
Estado aparece em ranking nacional de vulnerabilidade com registros de alto e crítico risco no Projeto Mapear 2025/2026, que identificou mais de 13 mil pontos em todo o país
A Bahia contabiliza 192 pontos classificados como de alto risco ou risco crítico para exploração sexual de crianças e adolescentes em rodovias federais, segundo o Projeto Mapear 2025/2026, lançado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a organização Childhood Brasil. O estado figura entre os cinco mais vulneráveis do país em um levantamento que identificou 13.758 pontos em todo o território nacional.
O estudo aponta queda de 22,2% no total de pontos vulneráveis em comparação ao biênio anterior, quando foram registrados 17.687 locais. No ciclo atual, o número caiu para 13.758 pontos. A PRF atribui a redução ao aprimoramento metodológico, com uso de georreferenciamento de precisão e critérios mais refinados de análise.
Os pontos são classificados em quatro níveis de risco: baixo, médio, alto e crítico. Os locais críticos recuaram de 4,56% para 3,29%, enquanto os de alto risco passaram de 14,51% para 13,50%. A classificação não indica ocorrência confirmada de crime, mas a existência de fatores de vulnerabilidade associados.
No recorte por unidades da federação, a Bahia aparece com 192 pontos somando as categorias de alto risco e crítico. O estado fica atrás de Minas Gerais (283), Santa Catarina (215), Rio de Janeiro (156) e São Paulo (136).
O dado reforça a preocupação com a vulnerabilidade em trechos de rodovias federais que cortam regiões de intenso fluxo comercial, turístico e urbano no estado.
Em nível nacional, a região Nordeste concentra o maior número de registros, com 5.944 pontos, seguida do Sudeste (3.393), Sul (1.822), Norte (1.455) e Centro-Oeste (1.144). Do total, 65,2% estão em áreas urbanas e 34,8% em áreas rurais.
Entre os locais mapeados estão postos de combustíveis, hotéis, motéis e estabelecimentos comerciais às margens das rodovias federais.
A PRF destaca que a redução de pontos críticos não significa diminuição direta da vulnerabilidade, mas mudança no perfil do fenômeno. Segundo o órgão, o avanço das redes sociais e aplicativos de mensagens tem ampliado o aliciamento no ambiente digital, tornando o crime mais discreto e menos visível nas rodovias.
Apesar disso, a existência de 452 pontos críticos em todo o país indica que ainda há risco relevante em campo. O projeto também vem sendo aprimorado com foco em inteligência policial, dentro da evolução para o chamado Mapear 2.0, que utiliza tecnologia para orientar ações preventivas e repressivas.
Os dados do Projeto Mapear 2025/2026 serão usados para direcionar operações da PRF ao longo do biênio, com reforço de fiscalização, ações educativas e intervenções em pontos sensíveis.
Entre as estratégias está a Operação Domiduca, voltada ao resgate de menores em situação de vulnerabilidade e à fiscalização de áreas críticas.
A PRF também destaca a atuação integrada com a Childhood Brasil, que contribui com a consolidação dos dados e com estratégias de prevenção por meio de programas de mobilização social e parceria com o setor privado.
A expectativa é de intensificar o monitoramento nos estados com maior concentração de vulnerabilidade, com destaque para a Bahia, que seguirá no foco de ações preventivas e de inteligência policial ao longo do novo ciclo do projeto.
FONTE: Gov.br/prf


