A Justiça Federal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, condenou o líder indígena Welington Ribeiro de Oliveira, conhecido como Cacique Suruí, a 7 anos e 6 meses de prisão, em regime semiaberto. A sentença foi divulgada nesta segunda-feira (13) e refere-se a uma ação policial realizada em julho de 2025, quando o indígena chegou a ser preso.
Segundo a Justiça Federal, a decisão foi proferida durante audiência realizada na última sexta-feira (10), na Vara Única da Subseção Judiciária de Eunápolis. Welington foi condenado pelos crimes de posse irregular de armas de fogo de uso restrito e com numeração suprimida, além de corrupção de menores.
O líder indígena foi preso em 2 de julho de 2025 durante um patrulhamento da Força Nacional de Segurança Pública, no âmbito da Operação Pataxó, realizada em Porto Seguro. A operação foi criada pelo governo federal para reforçar a segurança na região, marcada por conflitos entre comunidades indígenas e produtores rurais em disputas por terras.
De acordo com a investigação, Welington Ribeiro de Oliveira conduzia uma caminhonete transportando armas e munições sem autorização legal. No veículo também estavam dois adolescentes. Conforme a sentença, as provas indicam que os menores eram utilizados em atividades relacionadas ao transporte, guarda e treinamento com armas de fogo.
Na decisão, o juiz federal afirmou que a autoria e a materialidade dos crimes ficaram comprovadas por meio dos depoimentos dos policiais da Força Nacional, das provas reunidas durante a investigação, do interrogatório do réu e do conteúdo extraído de aparelhos celulares apreendidos.
Em relação ao crime de corrupção de menores, a sentença destaca que os adolescentes eram induzidos a participar de atividades envolvendo armamentos. Entre as provas analisadas estão mensagens sobre o transporte das armas e vídeos em que os jovens aparecem efetuando disparos enquanto recebiam orientações do réu.
A Justiça considerou como agravantes a utilização de munições de uso restrito, a posse de armas com numeração suprimida e o envolvimento de adolescentes nas práticas criminosas. Além da pena de reclusão, o cacique também foi condenado ao pagamento de multa.
Durante o processo, a defesa alegou que Welington teria recebido as armas de integrantes da comunidade indígena com o objetivo de entregá-las às autoridades. No entanto, o argumento foi rejeitado pelo magistrado, que entendeu não haver comprovação dessa versão. A sentença destaca que o réu permaneceu com o armamento por tempo indeterminado e não apresentou qualquer documentação que autorizasse a posse ou o porte das armas.
Por meio de nota, a Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa de Welington Ribeiro de Oliveira, informou que recorrerá da decisão por meio de apelação. Atualmente, o líder indígena cumpre a pena em regime de prisão domiciliar enquanto aguarda a análise do recurso.


