A saúde mental de adolescentes e jovens voltou ao centro dos debates após pesquisas apontarem que parte dessa população associa problemas como ansiedade, depressão e traumas emocionais à forma como foi criada dentro de casa. Embora o ambiente familiar seja considerado um dos fatores que influenciam o desenvolvimento emocional, especialistas alertam que não é correto atribuir essas condições exclusivamente aos pais.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, revelam um cenário preocupante. O levantamento, realizado com cerca de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos em todo o país, mostrou que três em cada dez adolescentes afirmam sentir tristeza constante ou na maior parte do tempo. A pesquisa também identificou que 42,9% dos estudantes disseram sentir-se irritados, nervosos ou mal-humorados frequentemente, enquanto 18,5% relataram pensar que a vida não vale a pena ser vivida.
O estudo também evidencia a importância das relações familiares. Pouco mais de um terço dos adolescentes afirmou sentir que os pais ou responsáveis não compreendem seus problemas e preocupações. Além disso, 26,1% disseram acreditar que ninguém se preocupa com eles, indicador considerado um sinal de sofrimento emocional e sensação de desamparo.
Pesquisas científicas nacionais e internacionais apontam que o ambiente familiar exerce influência significativa sobre a saúde mental dos jovens. Relações marcadas por diálogo, apoio emocional, limites equilibrados e acolhimento tendem a funcionar como fatores de proteção. Em contrapartida, negligência, violência, excesso de críticas e conflitos constantes podem aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos psicológicos.
Apesar disso, pesquisadores ressaltam que a saúde mental resulta da interação de diversos fatores. Predisposição genética, bullying, uso intenso das redes sociais, dificuldades financeiras, violência, perdas familiares, experiências traumáticas e acesso limitado aos serviços de saúde também contribuem para o surgimento de transtornos como ansiedade e depressão.
Especialistas defendem que o fortalecimento dos vínculos familiares, aliado ao suporte das escolas, da comunidade e dos serviços de saúde, é essencial para a prevenção do sofrimento psíquico entre adolescentes. O diálogo aberto, a escuta sem julgamentos e a busca por atendimento psicológico ou psiquiátrico quando necessário continuam sendo algumas das principais estratégias para reduzir os impactos dos transtornos mentais na juventude.
Além da participação das famílias, pesquisadores destacam a necessidade de ampliar o acesso a profissionais de saúde mental nas escolas e na atenção básica. A própria PeNSE mostrou que menos da metade dos estudantes brasileiros frequenta instituições de ensino que oferecem algum tipo de suporte psicológico, realidade que evidencia os desafios para o atendimento precoce de adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional.


