El Niño pode ser o mais forte já registrado e deve mexer com o clima até 2027

OMM alerta para intensificação do fenômeno, com impactos diferentes em cada região do mundo

Por Ana Sampaio

 

O fenômeno El Niño ganhou força e pode se tornar o mais intenso já registrado, segundo um novo alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM). A entidade afirma que o episódio deve continuar se fortalecendo nos próximos meses e tem probabilidade próxima de 100% de permanecer ativo até fevereiro de 2027.

O fenômeno acontece quando as águas superficiais do Pacífico tropical ficam anormalmente mais quentes. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

A OMM afirma que o atual episódio já está entre os quatro mais fortes registrados desde 1950 e pode atingir intensidade excepcional até o fim de 2026. A entidade, no entanto, ressalta que a força do El Niño não determina sozinha o impacto em cada país, já que outros fatores climáticos também interferem.

O que pode acontecer no mundo?

Os efeitos variam de acordo com a região. Em algumas áreas, o fenômeno aumenta o risco de seca e calor extremo. Em outras, pode provocar mais chuva, tempestades e enchentes.

Para o período entre setembro e novembro de 2026, a OMM prevê temperaturas acima da média em praticamente todas as áreas continentais do planeta. Os padrões de chuva também devem sofrer alterações importantes.

No Pacífico, o aquecimento excepcional das águas é um dos principais fatores por trás da intensificação do fenômeno.

E o Brasil?

Os efeitos sobre o Brasil não serão iguais em todas as regiões. O Inmet informa que o El Niño pode favorecer chuvas acima da média no Sul e provocar condições mais irregulares, com possibilidade de redução das chuvas em partes do Norte e Nordeste a partir de outubro.

Isso pode trazer consequências para a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia e os preços dos alimentos.

No agronegócio, a preocupação aumenta porque alterações no regime de chuvas e temperaturas podem afetar o calendário de plantio e colheita e aumentar o risco de perdas em determinadas culturas. Especialistas também alertam para possíveis impactos sobre preços de commodities e seguros agrícolas.

O fenômeno já está ativo

A OMM afirma que o El Niño está firmemente estabelecido e deve atingir sua maior intensidade nos próximos meses, antes de começar a perder força. A previsão atual é de continuidade dos efeitos pelo menos até fevereiro de 2027.

Apesar das previsões apontarem para um episódio excepcional, os especialistas reforçam que ainda é preciso acompanhar a evolução do fenômeno para saber exatamente como cada região será afetada.

O alerta agora é de preparação: governos, produtores rurais e setores que dependem diretamente das condições climáticas devem acompanhar as previsões e se preparar para possíveis períodos de calor extremo, chuvas intensas, seca e mudanças no regime de precipitação.

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