O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, neste domingo (20), a criação do Parceiros para o Multilateralismo (P4M), iniciativa apresentada em artigo publicado pelo jornal britânico Financial Times. O texto também é assinado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo presidente do Quênia, William Ruto, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Segundo os quatro líderes, a proposta pretende reunir países de diferentes regiões e tradições políticas em torno de objetivos comuns. O P4M, no entanto, não pretende criar um novo bloco internacional nem uma estrutura burocrática, mas funcionar como uma plataforma aberta para diálogo, formação de coalizões e cooperação prática.
A iniciativa foi apresentada em meio às discussões sobre o futuro do sistema multilateral, diante do aumento das tensões geopolíticas e dos conflitos armados. No manifesto, os líderes também citam desafios como mudanças climáticas, inteligência artificial, pandemias, segurança internacional e instabilidade econômica.
Reforma da ONU está entre as prioridades
Entre os objetivos do P4M está o apoio à reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) e de outras instituições multilaterais. A proposta defende que esses organismos sejam mais representativos, legítimos, eficazes e capazes de responder aos desafios atuais.
O grupo também pretende ampliar a cooperação entre organizações regionais, contribuir para iniciativas relacionadas à paz e à segurança e discutir temas ligados à governança econômica global, transformação digital, inteligência artificial e mudanças climáticas.
Os líderes afirmam que a iniciativa não pretende substituir o sistema multilateral existente. A proposta é formar coalizões entre países que compartilhem princípios previstos na Carta da ONU, mesmo que mantenham posições diferentes em outros temas.
O anúncio ocorre às vésperas da 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York entre os dias 21 e 25 de setembro. O encontro reúne representantes dos 193 países-membros da organização.

