Por Ana Sampaio
A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o debate presidencial que estava previsto para ocorrer antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). O anúncio foi feito pouco antes do início do programa, após uma sequência de desistências e decisões judiciais que alteraram as regras e a composição do encontro.
Inicialmente, a emissora havia confirmado Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Após uma decisão do então presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, Romeu Zema também foi incluído. Já Renan Santos, do Missão, obteve posteriormente uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinando sua participação.
Lula havia informado que não participaria do debate e, no mesmo horário, participou de uma entrevista ao Flow Podcast. Pouco antes do programa, Flávio Bolsonaro também anunciou sua desistência. O senador atribuiu a decisão à determinação da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a Globo de manter em destaque o púlpito vazio reservado a Lula e impediu perguntas dos demais candidatos direcionadas ao presidente ausente.
A decisão de Estela Aranha atendeu a um pedido apresentado pela coligação de Lula. A medida alterou uma regra que, segundo a Globo, havia sido previamente acordada e assinada pelos partidos participantes, prevendo a manutenção do espaço reservado ao candidato ausente.
Em outra frente, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos no debate. A decisão ocorreu poucas horas antes do programa, depois de pedidos apresentados pelo candidato para participar do encontro.
Diante das mudanças, a Globo informou que recebeu duas notificações judiciais que interferiam nas regras previamente estabelecidas e decidiu cancelar o debate. A emissora citou insegurança jurídica e afirmou que as alterações inviabilizaram a realização do programa nas condições planejadas.
O cancelamento provocou manifestações dos candidatos que estavam nos Estúdios Globo. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury criticaram as decisões judiciais, enquanto Renan Santos responsabilizou as ausências de Lula e Flávio pelo cancelamento. As declarações representam as posições dos próprios candidatos e não uma conclusão independente sobre as responsabilidades pelo episódio.
Flávio Bolsonaro afirmou que não participaria por considerar a decisão do TSE uma forma de “censura”. Já Lula explicou sua ausência alegando discordância com o formato do debate e participou de uma entrevista no mesmo horário.
O episódio fez com que o primeiro turno terminasse, pela primeira vez em duas décadas, sem um debate televisivo com os dois principais candidatos das pesquisas. A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro também impediu um confronto direto entre os dois nesta etapa da eleição.
A situação ainda repercute no cenário eleitoral e envolve discussões sobre as regras para debates, a atuação da Justiça Eleitoral e a autonomia das emissoras na organização dos programas.
Apuração atualizada em 2 de outubro de 2026.

