Por Ana Sampaio
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que beneficiários do Bolsa Família ocuparam 85,2% do saldo de empregos formais gerados no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
Segundo os dados, foram criadas quase 4,6 milhões de vagas formais para pessoas que recebiam o programa no período. O número corresponde à maior parte do saldo total de empregos registrado no país.
Para chegar ao saldo de empregos, são consideradas as contratações menos as demissões. Assim, quando uma empresa contrata 100 trabalhadores e demite 90, o resultado líquido é de dez novos postos de trabalho.
No período analisado, o Brasil registrou aproximadamente 91,8 milhões de contratações e 86,4 milhões de desligamentos, resultando em cerca de 5,3 milhões de empregos formais adicionais.
O estudo aponta que os beneficiários do Bolsa Família representaram 16,7% das contratações realizadas no período. A pesquisa também identificou um saldo de 5,8 milhões de empregos entre pessoas inscritas no Cadastro Único, enquanto o grupo que não estava inscrito registrou saldo negativo de aproximadamente 460,6 mil vagas.
O que os dados mostram
Os pesquisadores avaliam que os resultados não sustentam a ideia de que o Bolsa Família, por si só, afastaria seus beneficiários do mercado de trabalho formal. A análise aponta uma forte participação de pessoas em situação de vulnerabilidade na criação de empregos com carteira assinada.
O levantamento, no entanto, não significa que 85,2% dos beneficiários do Bolsa Família estejam trabalhando. O percentual se refere ao saldo de empregos formais criado no período e à situação dos trabalhadores em relação ao programa no momento considerado pela pesquisa.
Também não é possível afirmar, apenas com esses dados, que todos os trabalhadores que conseguiram emprego permaneceram recebendo o Bolsa Família depois da contratação.
Beneficiário pode trabalhar com carteira assinada?
Sim. O governo federal informa que uma pessoa pode ter carteira assinada e ainda receber o Bolsa Família, desde que a família cumpra os critérios de renda e demais regras do programa. A renda mensal por pessoa de até R$ 218 é o limite para ingresso no programa.
Além disso, existe a Regra de Proteção, criada para evitar a interrupção imediata do benefício quando a renda familiar aumenta, inclusive após a entrada de um integrante no mercado formal.
Pelas regras atuais, famílias que entram na Regra de Proteção podem receber 50% do valor do benefício durante um período determinado, desde que permaneçam dentro dos critérios de renda. Para famílias com renda instável que entram na regra a partir de julho de 2025, o período pode chegar a 12 meses, enquanto situações específicas possuem prazos diferentes.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social ressalta que a situação de cada família depende da renda per capita, da data de entrada na Regra de Proteção e das demais condições previstas no programa.
Perfil dos trabalhadores
De acordo com o estudo divulgado pela FGV, os beneficiários que ingressaram no mercado formal eram, em sua maioria, jovens de 18 a 24 anos, mulheres e pessoas pardas, com predominância de trabalhadores que haviam concluído o ensino médio.
Os pesquisadores também identificaram que, em nove estados, o saldo de empregos entre beneficiários do Bolsa Família compensou resultados negativos registrados entre trabalhadores que não estavam no grupo.
Os dados foram analisados no contexto do mercado formal de trabalho brasileiro entre janeiro de 2023 e julho de 2026 e ajudam a dimensionar a participação de famílias de baixa renda na geração de empregos formais no período.
Fonte: Fundação Getulio Vargas (FGV), dados repercutidos pela Folha de S.Paulo; Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

