Bolsonaro cita declarações de Moraes no caso Master em novo pedido de revisão criminal

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo pedido de revisão criminal da condenação a 27 anos e três meses de prisão no processo da trama golpista. O pedido foi protocolado em 25 de setembro e distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques, que já é relator de outra revisão apresentada pela defesa.

Entre os argumentos apresentados pelos advogados está uma comparação com manifestações feitas por ministros do STF durante a sessão de 15 de setembro, relacionada às investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na ocasião, o plenário discutiu uma questão de ordem envolvendo duas petições relacionadas ao caso. A análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino, e o mérito das petições não chegou a ser examinado.

Defesa questiona acesso às provas

Segundo os advogados de Bolsonaro, manifestações feitas durante a sessão reforçariam a necessidade de que as partes tenham acesso integral aos arquivos apreendidos e tempo adequado para analisar o material.

A defesa sustenta que condição semelhante não teria sido garantida no processo que levou à condenação do ex-presidente.

Os advogados afirmam que os links para acesso aos arquivos digitais utilizados no processo foram disponibilizados em 14 e 15 de maio de 2025, poucos dias antes do início das audiências de testemunhas.

Na avaliação da defesa, o período teria sido insuficiente para que os advogados examinassem todo o material, acompanhassem os depoimentos, formulassem perguntas e definissem a estratégia processual.

Parecer sobre cadeia de custódia

O novo pedido também apresenta como elemento adicional um parecer técnico sobre a cadeia de custódia das provas digitais utilizadas no julgamento.

Segundo a defesa, a análise identificou possíveis problemas na preservação e no tratamento dos dados desde a obtenção até sua utilização no processo. Os advogados afirmam que não tiveram tempo suficiente para realizar essa análise técnica durante o julgamento e que as conclusões obtidas posteriormente apontariam para possíveis nulidades.

A chamada cadeia de custódia reúne os procedimentos destinados a registrar e preservar a trajetória de uma prova, permitindo verificar sua origem, integridade e utilização no processo.

Pedido está com Nunes Marques

A nova revisão criminal foi distribuída por prevenção a Kassio Nunes Marques, que já conduz outro processo de revisão apresentado pela defesa de Bolsonaro em maio. A distribuição por prevenção busca evitar decisões conflitantes entre relatores diferentes sobre questões relacionadas ao mesmo caso.

Em setembro, a defesa também havia pedido a suspensão do cumprimento da pena enquanto a revisão fosse analisada, mas desistiu desse pedido poucas horas depois.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Atualmente, cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília. O STF manteve a medida em julho deste ano.

A nova revisão criminal ainda não tem data para julgamento. A apresentação do pedido não altera, por si só, a condenação ou a execução da pena.

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