O piloto e influenciador Lito Sousa, de 59 anos, morreu nesta quinta-feira (1º), em São Paulo, em decorrência de complicações da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurológica rara, progressiva e fatal. Conhecido pelo conteúdo sobre aviação, Lito havia recebido o diagnóstico da doença antes da morte.
A DCJ pertence ao grupo das doenças causadas por príons, proteínas anormais capazes de provocar danos progressivos no sistema nervoso. Segundo o Ministério da Saúde, a doença pode causar perda de memória, demência, tremores, falta de coordenação motora, alterações na fala, distúrbios visuais e mudanças de comportamento.
A forma mais comum é a DCJ esporádica, responsável por aproximadamente 85% dos casos confirmados no mundo. Segundo o Ministério da Saúde, essa forma não apresenta causa ou fonte infecciosa conhecida e não há evidência de transmissão pelo contato social cotidiano, como abraços, beijos, compartilhamento de utensílios ou relações sexuais.
Casos no Brasil
A doença integra a lista nacional de doenças de notificação compulsória desde 2005. Entre aquele ano e 2021, o Brasil registrou 1.576 notificações de casos suspeitos de DCJ.
No período, São Paulo concentrou 512 notificações, seguido por Paraná, com 189, e Minas Gerais, com 158. A maior parte das notificações ocorreu entre pessoas de 55 a 74 anos, faixa que correspondeu a 60,2% dos registros suspeitos.
O diagnóstico é considerado desafiador porque os sintomas podem se assemelhar aos de outras doenças neurológicas. A investigação pode envolver exames como eletroencefalograma, ressonância magnética, tomografia, análise do líquor e testes genéticos. A confirmação definitiva, segundo o Ministério da Saúde, depende de análise neuropatológica do cérebro.
Evolução rápida
A DCJ apresenta progressão acelerada. Conforme o Ministério da Saúde, aproximadamente 90% das pessoas acometidas morrem em até um ano. Até o momento, nenhum tratamento demonstrou capacidade de modificar a evolução fatal da doença.
O atendimento médico é direcionado ao controle dos sintomas, das complicações e às necessidades de suporte do paciente e da família.
No caso de Lito Sousa, houve uma mobilização para tentar acesso a tratamentos experimentais. Em setembro, a Anvisa autorizou a importação e o uso de uma medicação experimental para o piloto.
Apesar da gravidade da doença, o Ministério da Saúde esclarece que a DCJ não é transmitida pelo contato social cotidiano. Não há evidências de transmissão pelo ar, nem por abraços, beijos, compartilhamento de copos ou utensílios, ou pelo convívio comum com a pessoa diagnosticada.

