Publicações antigas atribuídas a deputada eleita do PT geram polêmica nas redes sociais

Mensagens sobre aborto, religião, empresários e Alexandre de Moraes repercutiram na internet. Ana Elisa Santos Silva afirma ser alvo de ameaças e contesta a autoria de algumas postagens.

Publicações antigas atribuídas à deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) ganharam repercussão nas redes sociais nesta quinta-feira (8). As mensagens, que teriam sido feitas entre 2023 e 2026, abordam temas como aborto, religião, empresários e decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os conteúdos divulgados estão frases críticas a católicos, comentários sobre a legalização do aborto e manifestações favoráveis ao bloqueio de redes sociais. Também circulam mensagens com críticas a empreendedores e ao funcionamento de igrejas evangélicas. A repercussão ganhou força após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhar uma publicação atribuída à petista sobre padres e redes sociais.

Publicações abordam aborto e religião

Uma das mensagens atribuídas a Ana Elisa, publicada em janeiro de 2023, ironiza a preocupação da mãe com a possibilidade de uma pessoa interromper a gravidez. Em outra, de setembro de 2026, ela compara argumentos contrários ao fim das apostas esportivas pela internet, conhecidas como bets, com a discussão sobre a legalização do aborto.

Em março deste ano, outra frase atribuída à parlamentar dizia: “Se gravidez fosse bom, algum deputado já havia proibido”.

As publicações também incluem comentários sobre a Igreja Católica. Em uma mensagem datada de janeiro de 2024, a autora afirma que a intolerância estaria no comportamento de alguns integrantes da religião, e não no catolicismo em si.

Em abril de 2026, outra postagem atribuída a Ana Elisa questionava o uso de redes sociais por padres e defendia que o Vaticano proibisse essa prática.

Críticas a empresários e manifestações sobre Lula

Em dezembro de 2024, uma mensagem atribuída à petista demonstrava insatisfação com empresários e empreendedores, além de criticar a relação do governo Lula com esses setores.

A deputada eleita também teria publicado, no início de 2026, uma avaliação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seria a melhor figura política possível, mas argumentava que críticas da própria esquerda poderiam favorecer a oposição nas eleições.

Outra publicação, feita em dezembro de 2022, demonstrava expectativa de que o governo federal encerrasse o chamado sigilo de 100 anos sobre determinadas informações.

Durante o governo Lula, houve revisão de regras de acesso a documentos públicos. No entanto, a legislação brasileira continua permitindo a restrição de acesso a determinadas informações pessoais por até 100 anos, conforme as condições previstas na Lei de Acesso à Informação.

Mensagens sobre Alexandre de Moraes

Entre as publicações que circularam estão frases favoráveis ao bloqueio de plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp por determinação de Alexandre de Moraes.

Em uma delas, a autora teria usado a expressão “ditadura boa é assim” ao comentar a atuação do ministro. As mensagens provocaram críticas de usuários que consideraram as declarações contraditórias com a defesa da liberdade de expressão.

Deputada eleita denuncia ameaças e desativa perfil

Após a repercussão, Ana Elisa desativou sua conta no X, antigo Twitter, na noite de quinta-feira (8). A parlamentar eleita afirmou que recebeu ameaças de morte e violência sexual, além de relatar a exposição de dados pessoais. Segundo a Agência Brasil, ela denunciou as ameaças à Polícia Civil.

Ana Elisa também responsabilizou publicamente Nikolas Ferreira e outros políticos pela ampliação dos ataques contra ela. O caso aumentou a tensão entre representantes de grupos políticos adversários.

A deputada eleita contesta a autoria de algumas das mensagens divulgadas, incluindo uma publicação sobre o fechamento de igrejas que foi compartilhada por Nikolas. A Rádio Itatiaia informou que procurou os registros na conta original, mas não encontrou as postagens citadas.

O episódio levanta discussões sobre a responsabilidade de figuras públicas pelo conteúdo divulgado nas redes sociais e sobre a necessidade de verificar a autenticidade de publicações antes de compartilhá-las. As ameaças relatadas pela parlamentar também devem ser investigadas pelas autoridades.

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