Meta atribui queda no alcance de Lula a falhas técnicas e nega favorecer Flávio Bolsonaro

A Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram, reconheceu problemas técnicos relacionados a anúncios e publicações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas negou favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL) na distribuição de conteúdos nas redes sociais. A manifestação ocorreu após a campanha petista denunciar possível interferência na disputa presidencial de 2026.

No sábado (10), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a empresa apresentasse esclarecimentos em até 48 horas sobre as reclamações. A decisão prevê informações sobre possíveis restrições na distribuição de publicações, limitações de recomendações e bloqueios geográficos relacionados aos perfis da campanha de Lula.

Em resposta, a Meta classificou como falsas as acusações de favorecimento político e afirmou que os problemas técnicos relatados não atingiram exclusivamente o Brasil ou contas específicas. A empresa também declarou que seus sistemas não utilizam critérios ideológicos para distribuir conteúdos e que segue as normas eleitorais.

Campanha de Lula questiona alcance das publicações

A campanha petista acionou o TSE e informou que também apresentou denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A equipe afirma que enfrentou dificuldades para impulsionar publicações, interrupções na contagem de visualizações e problemas com a conta de anúncios.

Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT, a página de Flávio Bolsonaro registra, em média, 2,96 vezes mais engajamento do que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores. Os números foram apresentados pela própria campanha e não constituem, por si só, comprovação de interferência da plataforma.

O partido questiona a explicação de que as falhas também afetaram outros países e contas. A campanha considera necessário esclarecer se os problemas tiveram impacto sobre outros mercados, anunciantes ou candidatos.

TSE aguarda esclarecimentos

A determinação judicial busca reunir informações sobre o funcionamento dos sistemas de distribuição de conteúdo da Meta e verificar as ocorrências relatadas. O tribunal também solicitou esclarecimentos sobre 255 perfis apontados pela campanha de Lula como falsos e supostamente administrados com uso de inteligência artificial.

Até o momento, as acusações de favorecimento eleitoral permanecem contestadas pela empresa. A apuração deverá esclarecer as falhas técnicas relatadas e se houve tratamento desigual entre as candidaturas.

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