Governo prevê falta de até R$ 23 bilhões para investimentos a partir de 2028

Documento enviado ao Congresso aponta necessidade de rever despesas para cumprir o limite de gastos; projeções não incluem medidas anunciadas recentemente pelo presidente Lula

Por Ana Sampaio

O governo federal alertou o Congresso Nacional sobre a necessidade de ajustar as despesas públicas nos próximos quatro anos para cumprir as regras fiscais. As projeções indicam que, a partir de 2028, os recursos disponíveis para investimentos e outras despesas não obrigatórias podem ser insuficientes, caso o cenário atual seja mantido.

A análise considera dois grupos de despesas: as obrigatórias, previstas em lei, como benefícios previdenciários, e as não obrigatórias, que incluem investimentos em infraestrutura e financiamento de pesquisas científicas. O cálculo avalia quanto restaria no orçamento depois do pagamento das despesas obrigatórias.

De acordo com as estimativas apresentadas, a insuficiência de recursos para cobrir as despesas não obrigatórias chegaria a R$ 15,8 bilhões em 2028 e R$ 14,9 bilhões em 2029. Para 2030, o valor projetado sobe para R$ 23 bilhões.

Os cálculos foram elaborados em agosto e não consideram medidas anunciadas posteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como mudanças relacionadas ao Bolsa Família, uma proposta de pagamento de R$ 5 mil para microempreendedores individuais (MEIs) e a iniciativa de transporte público gratuito aos fins de semana.

O Ministério do Planejamento defende a revisão de gastos diante das limitações orçamentárias. A pasta, porém, ressalta que as projeções fazem parte de um exercício e não contemplam todas as variáveis que podem alterar o cenário, como o encerramento de programas e projetos em andamento.

O alerta indica um desafio para o planejamento das contas públicas nos próximos anos. A necessidade de adequação, entretanto, não significa que os valores projetados representem um déficit já confirmado, mas uma estimativa de insuficiência de recursos para despesas não obrigatórias caso as condições consideradas no cálculo permaneçam inalteradas.

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