MP-BA analisa denúncia sobre suposta lista de alunas classificadas como “mais estupráveis” em escola de Feira de Santana

Caso envolvendo estudantes do Colégio Anísio Teixeira é investigado pela Polícia Civil; cinco alunos foram afastados, segundo comunicado divulgado pela instituição

Por Ana Sampaio

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) analisa uma denúncia sobre uma suposta lista com nomes de alunas classificadas como “mais estupráveis”, atribuída a estudantes do Colégio Anísio Teixeira, em Feira de Santana, no interior da Bahia. O caso ganhou repercussão nas redes sociais em outubro e também é investigado pela Polícia Civil. Até esta quarta-feira (21), não foi localizada uma atualização pública que confirme a conclusão das apurações.

A denúncia veio a público no dia 8 de outubro, após uma publicação nas redes sociais feita por uma pessoa que se identificou como estudante da instituição. Segundo o relato, a lista teria sido elaborada durante um trote escolar e exposta em uma sala de aula, com nomes de meninas de diferentes turmas. A existência do documento, entretanto, não foi confirmada oficialmente pelas autoridades nas informações consultadas.

Além da suposta lista, as denúncias mencionam estudantes usando máscaras com imagens de homens associados a casos de violência contra mulheres, entre eles o ex-goleiro Bruno, o ex-jogador Daniel Alves e Lázaro Barbosa. Também foram relatados comentários relacionados à violência sexual e à morte de mulheres. Esses detalhes fazem parte dos relatos divulgados e seguem sujeitos à investigação.

Polícia Civil investiga o caso

A Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), em Feira de Santana, instaurou um procedimento para apurar uma possível ocorrência de apologia e incitação ao crime contra estudantes da instituição. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, diligências e oitivas estão sendo realizadas para esclarecer as circunstâncias do episódio e identificar eventuais responsabilidades.

O caso também foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia por meio do Portal de Atendimento ao Cidadão. O órgão confirmou o recebimento da denúncia e informou que as informações estavam em análise para a adoção das medidas cabíveis. Até a última atualização pública localizada, não havia divulgação de uma decisão definitiva do MP-BA sobre o caso.

Escola afasta estudantes e prevê acolhimento psicológico

Em posicionamento divulgado após a repercussão do episódio, o Colégio Anísio Teixeira informou que adotou medidas internas para apurar os relatos e afirmou repudiar comportamentos que comprometam a segurança e o respeito no ambiente escolar.

Em nota posterior, a instituição informou que cinco estudantes foram suspensos das atividades escolares enquanto os fatos são apurados. A direção também comunicou que os responsáveis legais estão sendo ouvidos.

A escola afirmou ainda que as alunas afetadas receberão acolhimento psicológico e que serão desenvolvidas ações educativas voltadas à conscientização, ao respeito às mulheres e à prevenção da violência. Por envolver adolescentes, a instituição ressaltou que a divulgação de informações deve respeitar a privacidade dos envolvidos e a legislação vigente.

Estudantes protestaram após a repercussão

No dia 9 de outubro, estudantes realizaram uma manifestação em frente à instituição, cobrando providências e mais segurança no ambiente escolar. Durante o protesto, foram registrados pedidos de justiça e respeito diante das denúncias. O episódio ampliou o debate sobre misoginia, violência contra mulheres e a responsabilidade das instituições de ensino na prevenção de comportamentos dessa natureza.

As investigações continuam sendo fundamentais para esclarecer o que ocorreu, verificar os relatos e determinar eventuais responsabilidades. Até que haja uma conclusão oficial, a suposta lista e as condutas atribuídas aos estudantes devem ser tratadas como fatos sob apuração, com respeito aos direitos das possíveis vítimas e à privacidade dos adolescentes envolvidos.

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