ACM Neto comenta caso Master após delação não homologada citar suposta comissão de 10%

O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou que não cabe a ele julgar o senador Jaques Wagner (PT) ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master. As declarações foram dadas nesta segunda-feira (21), durante entrevista à série especial “Vota BN”, do Projeto Prisma, do Bahia Notícias.

Neto afirmou que há diferenças entre a situação investigada envolvendo Wagner e as relações comerciais que ele próprio manteve com empresas ligadas ao banco. Segundo o candidato, o senador exercia função pública quando teria mantido relações com o Banco Master, enquanto ele não ocupava cargo público quando realizou seus negócios.

“Eu não ocupava nenhuma função pública, eu era um cidadão privado, tinha liberdade para fazer meus negócios privados, desde que eles fossem legais”, afirmou.

Proposta de delação cita ACM Neto

O nome de ACM Neto aparece em uma proposta de colaboração apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Segundo o documento, Neto e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, teriam atuado para aproximar o banco de institutos de previdência e outros investidores públicos.

Na versão apresentada por Vorcaro, os dois receberiam uma comissão equivalente a 10% dos valores captados. A proposta menciona aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos e uma possível obrigação de até R$ 200 milhões em comissões.

O documento, porém, não informa quanto teria sido efetivamente pago. A proposta de colaboração não foi homologada pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República. Neto e Rueda negam as acusações.

Além disso, dados financeiros citados em reportagens registraram pagamentos do Banco Master a empresas relacionadas a ACM Neto. Segundo documentos enviados à Receita Federal e posteriormente analisados em reportagens, a A&M Consultoria, ligada ao ex-prefeito, recebeu cerca de R$ 5,45 milhões entre 2023 e 2025. Neto afirma que os valores correspondem à prestação de serviços privados de consultoria e gestão empresarial.

Investigação envolvendo Jaques Wagner

Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas a vantagens indevidas e possível atuação parlamentar em interesses do Banco Master. O senador nega irregularidades e afirma que as citações feitas durante a investigação não comprovam qualquer ilícito.

Ao comentar o caso, ACM Neto também afirmou esperar que as investigações não sejam utilizadas para interferir na disputa eleitoral.

“O que eu espero é que a máquina pública, principalmente policial, não tente interferir na vontade do eleitor”, declarou.

O candidato defendeu ainda que as instituições respeitem a Constituição e os limites de atuação de cada Poder.

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