Por Ana Sampaio
Familiares, mães e moradores realizaram uma manifestação na tarde desta terça-feira (2), em frente à Santa Casa de Misericórdia de Santo Antônio de Jesus, para cobrar a implantação de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal no município. O ato foi motivado por recentes casos de recém-nascidos que morreram após enfrentarem dificuldades no acesso a atendimento especializado, reacendendo o debate sobre a estrutura da assistência neonatal na região.
Entre os participantes estava Márcia Santos Marques, avó da bebê Ludmilla, que morreu no último domingo (31) após ser transferida para uma unidade de saúde em Feira de Santana. Durante o protesto, ela atribuiu a tragédia à demora na regulação para obtenção de uma vaga em unidade de maior complexidade.
Segundo o relato da avó, a recém-nascida foi inserida na Central de Regulação ainda na quinta-feira, mas a transferência só ocorreu na noite de sábado. Emocionada, Márcia afirmou que acompanhou os momentos finais da neta e cobrou respostas das autoridades responsáveis pelo sistema de saúde.
Outra participante da mobilização foi Marina Vieira dos Santos, mãe do bebê Liam, que faleceu em abril após complicações registradas durante o parto. Ela relatou que a criança precisou de cuidados intensivos logo após o nascimento, mas não resistiu após alguns dias internada. A família pede apuração do caso e melhorias na assistência oferecida às gestantes e recém-nascidos.
O pai de Ludmilla, Jackson, ressaltou que o movimento não tem como objetivo responsabilizar os profissionais da maternidade, mas chamar a atenção para a necessidade de investimentos em estrutura hospitalar. Segundo ele, a principal reivindicação dos manifestantes é a instalação de uma UTI Neonatal em Santo Antônio de Jesus, reduzindo a dependência de transferências para outros municípios em casos considerados graves.
Cartazes com frases como “UTI Neonatal Já”, “Menos promessa, mais leitos” e “Quem nasce em SAJ merece assistência em SAJ” foram exibidos durante o ato. Os participantes afirmaram que novas mobilizações poderão ser realizadas caso não haja avanço nas discussões sobre a implantação do serviço.
O debate ganhou ainda mais força após a direção da Santa Casa defender publicamente a criação de uma UTI Neonatal no município. A instituição argumenta que a transferência de recém-nascidos em estado grave para outras cidades aumenta os riscos clínicos e reforça a necessidade de ampliação da rede especializada de atendimento na região.
Fonte: Voz da Bahia

