Canetas emagrecedoras são estudadas para tratar dependência de álcool e outras drogas

Pesquisas apontam resultados promissores, mas especialistas alertam que ainda faltam estudos para comprovar a eficácia e a segurança dos medicamentos contra dependências.

 

Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, estão sendo estudados por pesquisadores devido ao possível efeito sobre o consumo de álcool e outras drogas. Embora os resultados iniciais sejam promissores, essas substâncias ainda não têm aprovação específica para tratar dependências.

Um estudo publicado em março de 2026 no periódico The BMJ analisou dados de mais de 606 mil veteranos das Forças Armadas dos Estados Unidos com diabetes tipo 2. Os pesquisadores identificaram associação entre o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 e menor risco de transtornos relacionados ao consumo de álcool, cocaína, nicotina, opioides e outras substâncias.

Outra pesquisa, publicada em 2024, avaliou a semaglutida em pessoas com transtorno por uso de álcool. Durante 26 semanas, os dias de consumo excessivo diminuíram 41% entre os participantes que receberam o medicamento, contra 26% no grupo que recebeu placebo.

Os cientistas investigam se essas substâncias interferem nos circuitos cerebrais relacionados à recompensa e ao desejo de consumir drogas. A diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos (NIDA), Nora Volkow, considera as evidências promissoras.

A farmacêutica Eli Lilly também conduz um estudo de fase 3 com a brenipatida, uma molécula experimental, para avaliar sua eficácia e segurança no tratamento do transtorno por uso de álcool. A conclusão principal está prevista para 2028.

No Brasil, médicos como Dartiu Xavier e Ronaldo Laranjeira relataram experiências com o uso desses medicamentos em pacientes selecionados. A psiquiatra Analice Gigliotti, porém, ressalta que ainda não há evidências suficientes de que as canetas consigam levar pacientes à abstinência.

Uma das hipóteses é que os medicamentos reduzam a resposta cerebral a estímulos associados ao consumo de substâncias, mas o mecanismo ainda não está completamente esclarecido.

Especialistas destacam que os resultados disponíveis não autorizam substituir os tratamentos convencionais por canetas emagrecedoras. O uso para dependências deve ser avaliado individualmente por profissionais de saúde, enquanto novas pesquisas investigam os benefícios e os riscos dessa abordagem.

 

Fonte: The BMJ — estudo com veteranos norte-americanos e ClinicalTrials.gov — estudo da brenipatida.  Bahia Noticias

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