Artista pernambucano afirma que campanha é sua única alternativa para pagar aluguéis atrasados e adquirir imóvel onde mora; iniciativa divide opiniões nas redes sociais.
Por Gaby Santana
O cantor pernambucano Afroito se tornou alvo de debates nas redes sociais após lançar uma vaquinha virtual com meta de R$ 1 milhão para quitar uma dívida de aluguel e comprar a casa onde mora, no Recife. A campanha, divulgada no último dia 23 de julho, despertou críticas pela quantia solicitada e pelo objetivo de adquirir um imóvel de alto valor.
Segundo o artista, cerca de R$ 800 mil seriam destinados à compra da residência, enquanto o restante serviria para quitar aproximadamente R$ 50 mil em aluguéis atrasados, além de multas, taxas e outros custos relacionados ao imóvel.
Em entrevista ao g1 Pernambuco, Afroito reconheceu que cometeu um erro ao alugar uma casa acima de sua realidade financeira. Ele explicou que a redução na agenda de apresentações comprometeu sua renda, impossibilitando o pagamento do aluguel, fixado em R$ 5 mil mensais.
O cantor afirmou que só foi formalmente cobrado após comunicar à proprietária que pretendia devolver o imóvel. Segundo ele, a notificação extrajudicial reuniu os seis meses de inadimplência, situação que o levou a buscar o financiamento coletivo como alternativa.
Nas redes sociais, a campanha dividiu opiniões. Enquanto parte dos internautas criticou o pedido, alegando falta de planejamento financeiro e questionando o valor da arrecadação, outros defenderam o direito do artista de recorrer ao financiamento coletivo, ressaltando que a contribuição é voluntária.
Afroito rebateu as críticas afirmando que o crowdfunding é uma ferramenta amplamente utilizada por artistas para viabilizar projetos e que a campanha oferece contrapartidas aos apoiadores, como exemplares em vinil de seu primeiro álbum, ingressos para eventos e outras recompensas caso a meta seja alcançada.
O músico também relatou que escolheu a residência por oferecer espaço adequado para ensaios, gravações e encontros com sua equipe. Segundo ele, antes de ocupar o imóvel, precisou realizar intervenções para torná-lo habitável, incluindo dedetização e reparos devido à presença de cupins, mofo e outros problemas decorrentes de a casa ter permanecido fechada por cerca de dez anos.
Até a publicação da reportagem, a campanha havia arrecadado pouco mais de R$ 8 mil, valor inferior a 1% da meta estabelecida. A arrecadação permanece aberta pelos próximos 60 dias.


