O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a levantar questionamentos sobre o sistema eletrônico de votação durante uma reunião com diplomatas realizada nesta terça-feira (21). As declarações fazem referência a argumentos que já foram contestados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante o encontro, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam relação com equipamentos produzidos pela empresa venezuelana Smartmatic. O senador também mencionou um suposto relatório da CIA que apontaria suspeitas de fraude em eleições realizadas na Venezuela em 2012.
Ao comentar o tema, Flávio declarou que não pretendia aprofundar a discussão, mas afirmou que considerava importante registrar a informação. Segundo ele, haveria denúncias relacionadas a vulnerabilidades em processos eleitorais eletrônicos em outros países.
O Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, já esclareceu em diversas ocasiões que as urnas eletrônicas brasileiras não são fornecidas pela Smartmatic. Em nota atualizada neste ano, o órgão informou que todo o projeto da urna eletrônica e do sistema de votação foi desenvolvido e é administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral brasileira.
O TSE também destacou que a empresa venezuelana nunca participou da programação ou da fabricação das urnas utilizadas nas eleições brasileiras. Segundo o tribunal, a atuação da Smartmatic limitou-se, em determinados momentos, à prestação de serviços de suporte técnico e conexão de dados, sem qualquer acesso ao sistema de votação.
As declarações foram feitas durante o evento “Debatendo o Brasil”, série de encontros promovida para representantes diplomáticos e organizações internacionais. Na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou que não estava questionando a integridade do sistema eleitoral brasileiro e defendeu a ampliação da presença de observadores internacionais nas eleições de 2026.
Após a repercussão das declarações, a equipe de pré-campanha do senador divulgou uma nota afirmando que Flávio não colocou em dúvida a legitimidade das eleições brasileiras. Segundo o comunicado, a intenção foi apenas defender o aumento da transparência e do acompanhamento internacional do processo eleitoral.
O episódio ocorre quatro anos após a reunião promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, em julho de 2022. Na ocasião, Bolsonaro apresentou críticas ao sistema eleitoral e levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas sem apresentar provas. O caso resultou em condenação pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando o ex-presidente inelegível até 2030.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o sistema eletrônico de votação brasileiro utiliza mecanismos próprios de segurança, comunicação criptografada e não possui conexão com a internet durante o processo de votação e totalização dos votos. O tribunal sustenta que, ao longo de mais de duas décadas de utilização, não foi comprovada qualquer fraude relacionada às urnas eletrônicas.


