Gari de 19 anos morre atropelado por motorista bêbado em SP; jovem deixa esposa grávida e filha de 1 ano

O gari Diego Rafael da Silva, de 19 anos, morreu após ser atropelado por um motorista embriagado enquanto trabalhava na coleta de lixo, na noite de domingo (26), no bairro da Barra Funda, em São Paulo. O jovem colocava sacos de lixo no caminhão de coleta quando foi atingido por um carro e arremessado por vários metros. O motorista foi identificado como o empresário chinês Guofang Huang.

Segundo a Polícia Civil, o empresário realizou o teste do bafômetro, que confirmou a ingestão de bebida alcoólica. Ele foi preso em flagrante e, durante depoimento, teria admitido que assumiu o risco de provocar um acidente fatal ao dirigir após consumir álcool.

Diego Rafael trabalhava como coletor de lixo da empresa Loga e deixa a esposa, grávida de oito meses, e uma filha de 1 ano. Nas redes sociais, familiares e amigos prestaram homenagens ao jovem, destacando sua dedicação à família. O casal aguardava o nascimento da segunda filha.

O caso reacende o debate sobre os acidentes provocados por motoristas suspeitos de dirigir sob efeito de álcool. Na última semana, o advogado Jeferson Nascimento se envolveu em um acidente após colidir com uma motocicleta e passar por cima do condutor. Imagens mostram o advogado deixando uma casa noturna com um copo na mão antes da colisão. Ele está foragido. A vítima, Cid Baldacci Correia, de 66 anos, recebeu alta hospitalar.

Outro episódio citado é o do sargento da Polícia Militar Fábio Ferreira de Souza, que morreu após ser atingido por um carro que trafegava na contramão em uma avenida de São Paulo. O motorista, Bruno Sales Shimizu, de 22 anos, havia saído de uma casa noturna onde, segundo as investigações, gastou cerca de R$ 3 mil em bebidas alcoólicas. A polícia também apura que, aos 17 anos, ele já havia atropelado e matado outro motociclista no interior paulista.

Em outro caso, Paulo César de Araújo Ribeiro bateu em um veículo, que acabou atingindo uma mulher. Na sequência, atropelou e matou Raielly Oliveira, de 24 anos, fugindo sem prestar socorro. De acordo com o boletim de ocorrência, ele dirigia embriagado, sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e em alta velocidade. Apesar disso, foi colocado em liberdade pela Justiça. No último sábado, familiares e amigos da vítima realizaram um protesto pedindo justiça.

Segundo dados do Ministério dos Transportes, 68% dos motoristas envolvidos em atropelamentos registrados no Brasil neste ano são suspeitos de terem consumido bebida alcoólica. O índice reforça a preocupação com a combinação entre álcool e direção, apontada como uma das principais causas de mortes no trânsito.

Para o especialista em trânsito Sérgio Ejzenberg, o principal desafio não é criar leis mais severas, mas garantir fiscalização eficiente e punição aos infratores. Segundo ele, a aplicação rigorosa da legislação atual é suficiente para reduzir esse tipo de crime.

“Se você fiscaliza e coloca perante a Justiça os criminosos do trânsito, eles pagarão seu preço e servirão de exemplo para a população do que não fazer”, afirmou o especialista.

Ele concluiu defendendo o cumprimento das normas já existentes. “Não precisa endurecer mais nada, basta cumprir o que já está aí”, ressaltou.

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