Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia aponta que o cabo do Exército Deivison dos Santos Ferreira é suspeito de desviar armamentos e munições para abastecer facções criminosas em Salvador. O militar, lotado no Sexto Batalhão de Polícia do Exército, é investigado por supostamente negociar materiais de uso restrito com integrantes do tráfico de drogas.
As suspeitas surgiram a partir da análise de celulares apreendidos durante uma operação realizada em abril, em um imóvel utilizado para armazenar e preparar drogas no bairro de Itapuã. Segundo os investigadores, conversas encontradas nos aparelhos indicam que o cabo teria oferecido munições e armamentos aos criminosos.
Ainda conforme a investigação, o militar teria enviado informações pessoais, como CPF e chave Pix, para receber pagamentos pelas negociações.
A Polícia Civil afirma que aproximadamente mil munições de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62 teriam sido vendidas pelo cabo a um dos grupos investigados. Também foram identificadas, segundo os investigadores, negociações envolvendo granadas.
A apuração também levanta a suspeita de que parte do material teria sido retirada durante treinamentos militares. Os investigadores analisam ainda a possibilidade de registros de estoque terem sido alterados para dificultar a identificação dos supostos desvios.
Operação prende 33 suspeitos
Uma operação deflagrada nesta semana mobilizou cerca de 250 agentes e resultou na prisão de 33 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa investigada.
Deivison também estava entre os alvos da ação, mas já cumpria prisão preventiva desde agosto por determinação da Justiça Militar. Nesse caso, ele é investigado pelo desaparecimento de coletes balísticos.
A defesa do militar nega as acusações. O Exército informou que Deivison permanece custodiado em uma unidade militar e está à disposição da Justiça.
As investigações continuam para esclarecer a origem do material, a possível participação do militar nas negociações e o destino dos armamentos e munições.

