Uma operação policial contra o Comando Vermelho (CV) colocou na mira das autoridades a mãe do cantor Oruam e um vereador do Rio de Janeiro suspeitos de ligação com a estrutura da facção criminosa. A ação também resultou na prisão de policiais militares e investiga a atuação de pessoas próximas ao traficante Marcinho VP na manutenção das atividades do grupo. As informações são da TV Globo.
Entre os alvos está Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, companheira de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam. Outro investigado é o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD), que acabou preso nesta quarta-feira (11). Ao chegar à Cidade da Polícia, ele negou qualquer relação com o crime organizado. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou.
A ofensiva foi conduzida por agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), que saíram às ruas para cumprir 13 mandados de prisão. Até a última atualização da operação, seis pessoas haviam sido presas, enquanto outros quatro investigados já estavam no sistema prisional. Entre os detidos também estão seis policiais militares.
De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da operação é enfraquecer a estrutura nacional da facção. A corporação afirma que o grupo foi “identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada”. Os investigadores também apontam “indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC)”, além de tentativas de interferência política em territórios controlados pelo tráfico para transformá-los em redutos eleitorais.
Segundo a polícia, “Segundo os elementos reunidos pela investigação, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho”.
A instituição afirma ainda que “Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local”. Entre os exemplos citados pelos investigadores está “Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região”.
As apurações indicam que a escolha de parte dos beneficiários dessas iniciativas teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem processos públicos transparentes.
As investigações também apontam que Marcinho VP continua exercendo forte influência na organização criminosa mesmo após quase três décadas no sistema prisional. A polícia afirma que ele “continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção” e integra o chamado “conselho federal permanente” do Comando Vermelho.
Ainda segundo a delegacia especializada, Márcia Nepomuceno atuaria fora da prisão como intermediária de interesses da facção, “participando da circulação de informações e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos”.
Outro alvo da investigação é Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP. Para os investigadores, ele “exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços e imóveis”.
A operação segue em andamento para identificar outros integrantes da estrutura que, segundo a polícia, sustenta as atividades do Comando Vermelho dentro e fora do sistema prisional.
Fonte: Bahia Noticias
