Mensagens atribuídas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, indicam que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) teria atuado para que a instituição financeira voltasse à lista do Ministério da Previdência Social de bancos autorizados a receber investimentos de fundos previdenciários estaduais e municipais. As informações foram divulgadas pelo UOL nesta segunda-feira (12).
Segundo a reportagem, o Banco Master ficou fora da lista em abril de 2024, o que dificultou a captação de recursos de regimes próprios de previdência. Após contatos envolvendo diretores do banco, ACM Neto e o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, a instituição voltou a constar na relação em 2 de maio daquele ano.
O episódio ocorreu após o banco questionar exigências para integrar a lista. Conforme o UOL, o diretor comercial da instituição, Fernando Mascarenhas, reuniu-se com ACM Neto para tratar do assunto e, posteriormente, teve uma reunião com Lupi. O Ministério da Previdência informou que a inclusão ocorreu após o cumprimento dos requisitos previstos nas normas.
Proposta de delação menciona supostas comissões
A reportagem também retoma alegações atribuídas a uma proposta de delação premiada de Vorcaro, segundo a qual ACM Neto e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, teriam recebido ou negociado comissões equivalentes a 10% dos valores captados junto a fundos previdenciários.
As suspeitas envolvem a atuação dos dois políticos na aproximação entre fundos públicos e o Banco Master. A proposta de colaboração, porém, não foi aceita pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, segundo reportagens anteriores do UOL. Portanto, as declarações atribuídas ao banqueiro não constituem, por si só, comprovação das acusações.
Citados negam irregularidades
Em manifestação ao UOL, ACM Neto negou ter atuado para incluir o Banco Master na lista e afirmou que não participou de reuniões com integrantes do governo federal para tratar do assunto. Ele também classificou as acusações como fantasiosas e criticou a divulgação de informações que considera seletivas.
Carlos Lupi negou interferência política e declarou que o tema foi tratado pela equipe técnica do ministério. A pasta, por sua vez, afirmou que sua função era verificar o cumprimento das exigências legais e que o banco foi incluído após a confirmação de que atendia aos critérios estabelecidos.
Fundos tentam recuperar valores investidos
O caso ganhou maior repercussão após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. De acordo com o UOL, a instituição captou cerca de R$ 4,5 bilhões de fundos previdenciários estaduais e municipais entre 2023 e 2025.
Como esses investimentos não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os fundos afetados buscam alternativas para recuperar os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.
A apuração sobre as articulações políticas e os investimentos segue cercada de questionamentos. As responsabilidades individuais dependem da análise das evidências pelas autoridades competentes.

