Origem do coronavírus volta ao centro do debate nos EUA após audiência com o médico Fauci

O imunologista Anthony Fauci se recusou a responder mais de 100 perguntas durante uma audiência realizada na última quarta-feira (29) no Senado dos Estados Unidos sobre a origem da Covid-19. Ao ser questionado por parlamentares republicanos, o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) invocou a Quinta Emenda da Constituição americana, que garante o direito de não produzir provas contra si.

A audiência foi convocada para discutir a condução da pandemia, o financiamento de pesquisas com coronavírus na China e as hipóteses sobre a origem do vírus. Durante a sessão, o senador Rand Paul apresentou mais de mil páginas de um diário mantido por Fauci, afirmando que os registros mostram divergências entre suas anotações pessoais e declarações públicas.

O parlamentar voltou a sustentar que Fauci teria apoiado pesquisas com coronavírus na China e, posteriormente, minimizado a hipótese de um vazamento laboratorial. Apesar de algumas agências do governo americano considerarem essa possibilidade plausível, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso sobre a origem do vírus.

Trechos do diário mostram que, em janeiro de 2020, Fauci escreveu que o mercado de Wuhan não era a fonte da Covid-19, mas um local que ampliou a transmissão. Em anotações de 2021, ele afirmou que a hipótese mais provável continuava sendo a transmissão natural de animais para humanos, mas reconheceu que não era possível afirmar com certeza a origem do coronavírus.

Fauci foi uma das principais autoridades de saúde pública dos Estados Unidos durante a pandemia e ganhou projeção ao defender medidas como uso de máscaras, distanciamento social e reabertura gradual da economia, em posição frequentemente divergente da adotada pelo então presidente Donald Trump.

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