O ex-coach Pablo Marçal provocou os eleitores de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, após ele anunciar que não apoiará Lula (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Em entrevista ao podcast IronTalks TV, Marçal afirmou que os eleitores de Renan podem anular o voto ou escolher livremente entre os candidatos.
“Você que votou no Renan, fica com esse voto, anula, põe onde você quiser. E acabou”, declarou.
Durante a entrevista, Marçal também criticou o desempenho eleitoral de Renan e comparou o período em que os dois participaram da corrida presidencial. Segundo ele, chegou a ultrapassar o adversário em uma pesquisa após três dias como candidato, antes de ter sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Renan, seu sonho foi cortado quando o pesadelo aqui chegou. Em três dias, eu te passei em uma pesquisa. Fiquei candidato a presidente por três dias até ser barrado pelo TSE. Você ficou um ano contando lorota e não deu em nada”, afirmou.
Renan rebate provocação e critica disputa política
Na terça-feira (20), Renan respondeu às declarações de Marçal nas redes sociais. O candidato criticou o tratamento dado a ele e a seus eleitores por integrantes dos grupos políticos envolvidos na disputa.
“Se você é um eleitor meu, entenda: eles chamaram você de esquisitão e eu de nazista. Eu falo para vocês: votem em quem vocês quiserem nessas eleições”, declarou. Em seguida, questionou a decisão de eleitores que pretendem apoiar um dos candidatos com o argumento de que estariam “salvando o Brasil”.
Renan mantém posição de neutralidade no segundo turno. Na semana anterior, durante entrevista ao programa Alt Tebet, do UOL, afirmou que considera maior o risco de concentração de poder em um eventual governo de Flávio Bolsonaro do que em uma nova gestão de Lula.
“Em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder específico é maior com o Flávio”, disse. Na avaliação do candidato, caso Lula seja eleito, enfrentaria limitações para aprovar propostas que dependem de mudanças constitucionais no Congresso.
Na mesma entrevista, Renan afirmou que não pretende votar no segundo turno e deixou a decisão a critério dos eleitores. Ele também disse que não quer vincular o partido Missão ao projeto político de nenhum dos dois candidatos.
Renan recebeu mais de 2,6 milhões de votos
Renan Santos recebeu 2.675.887 votos no primeiro turno, o equivalente a 2,24% dos votos válidos, e terminou a disputa presidencial na quarta colocação. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), ele apresentou uma agenda de direita e buscou se diferenciar politicamente do grupo associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante a campanha, Renan criticou tanto o PT quanto o bolsonarismo. Após o resultado do primeiro turno, também afirmou que não havia sido procurado por lideranças petistas ou do Centrão para negociar uma possível aliança.
O candidato disse que pretende concentrar esforços na organização e no fortalecimento do partido Missão, que elegeu dois dos 483 candidatos lançados pela legenda na disputa eleitoral.
Renan também descartou apoio a Lula e Flávio Bolsonaro, a quem fez críticas públicas, e reiterou que seus eleitores têm liberdade para decidir como votar. Até o momento descrito nas declarações, o partido não apresentou uma indicação oficial de apoio para o segundo turno.

