Pedidos negados de benefícios do INSS aumentam 70% enquanto fila de espera cai

O número de pedidos negados de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cresceu 70% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Boletim Estatístico da Previdência Social mostram que os indeferimentos passaram de 2,5 milhões, entre janeiro e junho de 2025, para 4,3 milhões no mesmo intervalo deste ano.

Somente em junho, o INSS negou 938.189 requerimentos, contra 568.496 registrados no mesmo mês de 2025. Apesar do aumento das negativas, a fila para análise de aposentadorias, pensões e auxílios caiu para menos de 1,5 milhão de pedidos, após alcançar o recorde histórico de 3,1 milhões de requerimentos em fevereiro deste ano.

Durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), realizada nesta terça-feira (4), o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que a redução da fila não ocorreu em razão do crescimento dos indeferimentos, mas pelo aumento do número de benefícios concedidos e pelas medidas adotadas para acelerar a análise dos processos.

Segundo o ministro, entre janeiro e julho a fila foi reduzida em cerca de 80%. Ele explicou que, desconsiderando o fluxo mensal de aproximadamente 1,3 milhão de novos pedidos, o estoque efetivo de processos pendentes é de cerca de 374 mil requerimentos, com tempo médio de espera de 48 dias. A meta do governo é reduzir a fila ao chamado fluxo normal entre setembro e outubro, mantendo apenas os pedidos do mês, todos com prazo de resposta inferior a 45 dias.

Especialistas pedem cautela

Para o advogado previdenciário João Badari, sócio do escritório Aith, Badari e Luchin, a redução da fila representa um avanço, mas o crescimento expressivo dos indeferimentos merece atenção.

Segundo ele, o aumento das negativas pode refletir critérios mais rigorosos na análise dos benefícios, dificuldades enfrentadas pelos segurados para apresentar documentos, falhas na instrução dos processos ou até decisões automatizadas.

O especialista destaca que reduzir o tempo de espera é importante, mas alerta que isso não pode ocorrer às custas do reconhecimento de direitos previdenciários. Caso parte das negativas seja considerada indevida, a tendência é de aumento da judicialização, transferindo o problema do INSS para o Poder Judiciário.

Medidas adotadas pelo governo

Para acelerar a análise dos processos, o Ministério da Previdência implementou a Ação Coordenada de Celeridade no Atendimento e Enfrentamento à Fila do INSS (Acelera INSS). Além disso, desde abril, o instituto passou a restringir novos pedidos para o mesmo benefício enquanto ainda existir prazo para recurso administrativo, evitando solicitações repetidas para um mesmo CPF.

Pelas novas regras, o segurado só poderá registrar um novo requerimento após o encerramento do prazo recursal, que pode chegar a 30 dias depois da negativa.

O que fazer quando o benefício é negado?

Especialistas orientam que o segurado leia atentamente a carta de decisão emitida pelo INSS para identificar o motivo do indeferimento antes de adotar qualquer medida.

De acordo com a advogada Thaís Bertuol Xavier, consultora jurídica especializada em direito previdenciário, muitas negativas podem ser revertidas quando o recurso apresenta documentos complementares e comprova o cumprimento dos requisitos legais.

Antes de recorrer, é recomendável verificar:

  • qual foi o motivo da negativa informado pelo INSS;
  • se houve erro na análise das informações;
  • se é necessário complementar documentos ou corrigir dados cadastrais;
  • se o caso deve ser resolvido por recurso administrativo ou ação judicial.

Segundo a especialista, essa análise aumenta as chances de êxito e evita recursos desnecessários.

Quais negativas costumam ser revertidas?

Embora cada caso seja analisado individualmente, especialistas afirmam que algumas situações aparecem com frequência entre os recursos aceitos, como:

  • inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS);
  • períodos de contribuição não considerados pelo INSS;
  • apresentação de documentos complementares após o primeiro pedido;
  • negativas relacionadas à perícia médica quando surgem novos elementos;
  • interpretações equivocadas sobre o cumprimento dos requisitos legais.

Documentos importantes

A documentação varia conforme o benefício solicitado, mas normalmente aumenta as chances de revisão da decisão quando o segurado apresenta:

  • documentos pessoais atualizados;
  • carteira de trabalho;
  • extrato do CNIS;
  • comprovantes de vínculos empregatícios e contribuições;
  • laudos, exames e atestados médicos, quando aplicáveis;
  • Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e laudos técnicos para atividades especiais;
  • outros documentos que comprovem o direito ao benefício.

Especialistas reforçam que, diante de uma negativa, o segurado deve buscar orientação para avaliar a melhor estratégia, seja por meio de recurso administrativo ou de ação judicial, conforme as particularidades de cada caso.

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