PF aponta que Flávio Bolsonaro destinou emenda a projeto ligado a condenado no caso Marielle

A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79, destinada em 2023 pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto esportivo no Rio de Janeiro, foi articulada após um pedido de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no grupo ligado aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

As conversas foram encontradas no celular de Calixto, apreendido pela PF durante as investigações sobre o caso Marielle. Nos diálogos, ele mantém contato com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro. Segundo a investigação, ela era uma das interlocutoras de Calixto no gabinete.

As mensagens mostram que, em outubro de 2023, Calixto pediu ajuda para obter recursos para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), responsável pelo projeto esportivo “Jogadores do Futuro”, na Taquara, Zona Oeste do Rio.

Em uma das conversas, ele solicita que a assessora verificasse com o senador a possibilidade de liberar recursos. Posteriormente, voltou a cobrar a destinação da verba. Em 29 de novembro de 2023, o instituto recebeu R$ 199.999,79 por meio de uma emenda de autoria de Flávio Bolsonaro.

PF e TCU apuram possíveis irregularidades

Além da articulação para a destinação da verba, a aplicação dos recursos também entrou no radar das autoridades. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou problemas na execução do projeto, entre eles a contratação de um escritório de advocacia cujo responsável também era presidente do instituto beneficiário.

Os técnicos apontaram possível conflito de interesses e questionaram procedimentos utilizados nas cotações de preços. As suspeitas ainda são objeto de apuração e não significam, por si só, que o parlamentar tenha participado de eventual irregularidade na execução da verba.

As investigações também analisam a atuação de Calixto na intermediação de recursos públicos destinados a entidades relacionadas ao grupo dos irmãos Brazão.

Quem é Robson Calixto

Conhecido como “Peixe”, Robson Calixto foi condenado pelo STF a nove anos de prisão por participação na organização criminosa ligada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.

Segundo as investigações do caso Marielle, Calixto teria atuado como intermediário entre os irmãos Brazão e integrantes de grupos criminosos. Ele foi citado na delação de Ronnie Lessa, que confessou a execução do assassinato de Marielle e Anderson Gomes.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação e seguindo critérios técnicos do Ministério do Esporte.

Segundo o senador, a entidade responsável pelo projeto apresentou notas fiscais referentes aos materiais adquiridos e devolveu os valores que não foram utilizados. Ele também afirmou que a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O Ifop, por sua vez, afirmou que não manteve contato direto com Flávio Bolsonaro e que os recursos foram obtidos por meio de assessoria especializada que apresentou projetos a diferentes gabinetes parlamentares.

RELACIONADAS

MAIS RECENTES