O Palácio do Planalto negou as acusações feitas pela empresária e lobista Roberta Luchsinger sobre supostas reuniões entre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e ministros do governo federal. Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou desconhecer os fatos relatados, disse que nunca manteve interlocução com a empresária e declarou que não recebeu demandas dela. O governo também negou a existência de contratos federais com Luchsinger.
As declarações ocorreram após uma entrevista concedida por Roberta à CNN Brasil no sábado (17). Na ocasião, ela afirmou que pretende buscar um acordo de delação premiada e que não deseja assumir sozinha a responsabilidade pelos fatos investigados.
Empresária contesta declarações de Lula
Durante a entrevista, Luchsinger contestou declarações anteriores do presidente, que a chamou de “pilantra” e afirmou que o filho nunca teria se reunido com ministros do governo.
A empresária alegou que Lulinha esteve diversas vezes com integrantes do primeiro escalão e mencionou uma suposta visita à residência do ministro Camilo Santana, no Ceará.
“É público, é notório que o Fábio Luiz, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros, inclusive viajou para a casa do ministro Camilo, no Ceará”, declarou.
Roberta também afirmou que participava de reuniões com ministros para tratar de assuntos relacionados a políticas públicas. As declarações, porém, são alegações da empresária e não comprovam, por si só, a ocorrência de irregularidades.
Roberta diz que pretende colaborar com as investigações
Na entrevista, Luchsinger manifestou interesse em firmar um acordo de delação premiada. Segundo ela, pretende apresentar informações que, em sua avaliação, vão além das mensagens já conhecidas pelas autoridades.
“Não serei eu o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim”, afirmou.
A empresária também criticou a forma como Lula se referiu a ela publicamente e disse que pretende apresentar sua versão dos fatos à Justiça. Uma eventual colaboração premiada depende de negociação com as autoridades competentes e do cumprimento dos requisitos legais.
Planalto questiona o momento das acusações
Na manifestação divulgada após a entrevista, Lula afirmou que causa estranheza a divulgação das acusações às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. O presidente também mencionou denúncias sem comprovação divulgadas em períodos eleitorais e questionou a motivação das declarações.
A defesa de Lulinha, por sua vez, negou irregularidades e afirmou que a relação dele com políticos, inclusive pessoas que posteriormente assumiram cargos ministeriais, é de natureza pessoal. Segundo a manifestação, ele está à disposição da Justiça para colaborar com as investigações.
Lulinha é alvo de investigação da Polícia Federal
Fábio Luís Lula da Silva é investigado pela Polícia Federal em apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades envolvendo relações com empresários e integrantes do poder público.
Entre as linhas investigativas estão possíveis vínculos com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, no contexto das apurações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger também é alvo de investigação.
Os citados negam irregularidades. As suspeitas seguem sob apuração das autoridades e não representam, por si só, comprovação de culpa.

