Uma cidade da Bahia tem incidência de chikungunya 40 vezes maior que a média estadual; veja qual

Desde o início deste ano, os casos de chikungunya cresceram 310,8% na Bahia. Uma das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya já foi notificada 8.117 vezes entre o dia 4 de janeiro e o último dia 10 deste mês, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).

Esse período corresponde a 31 semanas epidemiológicas e o percentual é comparado ao mesmo intervalo no ano passado. Os números correspondem a um coeficiente de incidência de 54,6 casos para cada 100 mil habitantes. Mas, apesar de quase metade dos municípios baianos terem registrado ocorrências da infecção (188 de 417), algumas cidades se destacam.
O maior número de notificações foi em Alagoinhas, que chega a ter um coeficiente de incidência de 2.340,63. Na sequência, vêm as cidades de Rio Real (com 894,42) e Muritiba (com 878,06). Do total de municípios com casos, 18 têm taxas maiores do que 100 casos para cada 100 mil habitantes. Em todo o estado, um óbito foi registrado.
Um dos principais aspectos da chikungunya é que as dores articulares podem durar anos, em alguns pacientes, afetando atividades básicas como trabalhar, caminhar e dirigir. “A diferenciação entre chikungunya, dengue e zika pode ser desafiadora, pois essas arboviroses apresentam diversas manifestações em comum, como febre, dor muscular e articular, manchas na pele e prostração, especialmente nos primeiros dias de doença. Todas são transmitidas principalmente pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. O que ajuda na diferenciação é observar o padrão dos sintomas, principalmente o tipo e a intensidade da dor”, diz a médica reumatologista Viviane Machicado, da Clínica IBIS.

De acordo com ela, os sintomas articulares persistentes após a fase inicial podem atingir entre 30% e 60% dos pacientes. Há, inclusive, fases de melhora e de retorno dos sintomas. Entre os principais sinais de alerta estão dores que não melhoram ou retornam após um período de melhora, inchaço nas articulações, rigidez principalmente pela manhã, dificuldade para movimentar mãos, punhos, pés ou joelhos e limitações para trabalhar, caminhar ou realizar tarefas habituais.

“A dor da chikungunya não deve ser normalizada quando passa a limitar a vida da pessoa. Se a dor permanece, há inchaço ou rigidez articular, é importante buscar

avaliação

, porque existem formas de controlar essa inflamação e melhorar a qualidade de vida”, acrescenta a médica.

El Niño

Especialistas têm alertado, inclusive, para os impactos do El Niño, cuja previsão é de ser um evento muito forte, com 69% de chance de superar a intensidade dos El Niños registrados desde 1950 entre outubro e dezembro. A previsão de temperaturas mais elevadas e chuvas irregulares nos estados do Nordeste podem influenciar o ciclo de vida e a proliferação do Aedes aegypti e favorecer diferentes situações de formação de criadouros.

“O aumento da temperatura pode favorecer o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti, enquanto as chuvas podem contribuir para o acúmulo de água e a formação de criadouros. Já em períodos de estiagem, o armazenamento inadequado de água também pode criar condições favoráveis à reprodução do mosquito. Por isso, a prevenção deve ser contínua, com atenção redobrada aos ambientes domésticos”, explica a médica infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Além de evitar a formação de novos criadouros e ampliar a proteção no dia a dia, reconhecer os sinais da doença e procurar atendimento também são cuidados importantes. “A chikungunya pode causar febre e dores intensas nas articulações, acompanhadas de inchaço, dores musculares, dor de cabeça e manchas na pele. Ao perceber esses sintomas, é importante procurar atendimento médico e evitar a automedicação, garantindo uma avaliação e o acompanhamento adequados”, acrescenta.

O controle de possíveis criadouros pode ser combinado com outras medidas de proteção dentro de casa. “Diante do aumento dos casos de chikungunya na Bahia e das condições climáticas previstas para os próximos meses, é importante reforçar que a proteção começa dentro de casa. Além de eliminar possíveis focos do mosquito, repelentes e inseticidas, quando utilizados corretamente e de acordo com as orientações do rótulo, também podem ser aliados na proteção das pessoas e dos ambientes”, diz a Head de Marketing de SBP, marca do segmento de repelentes e inseticidas, Letícia Pires.

Além da chikungunya, os casos de Zika também têm aumentado na Bahia. Entre 4 de janeiro deste ano ao último dia 10 deste mês, foram notificados 284 casos prováveis da doença, contra 237 no ano passado. Assim, o aumento foi de 19,8%, segundo a Sesab.

Já os casos de dengue estão em queda neste ano: foram 20.980 notificações no mesmo período analisado em 2026 contra 26.179 ocorrências no ano passado. Ainda que o coeficiente de incidência seja maior do que 100 casos para cada 100 mil habitantes (taxa de 141,1), houve redução de 19,9%.

Fonte: Jornal Correio
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