Diferente de 2022, disputa eleitoral na Bahia não terá “pacto de não violência” e Lula “pra cima” de ACM Neto; entenda

A última visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Bahia ainda repercute nos bastidores da política do estado. Para além das entregas e eventos que esteve presente, Lula deixou um questionamento para quem ficou: como tratará a campanha ao governo baiano, levando em conta a última disputa e seu comportamento? Em 2022, um dito “pacto de não agressão” envolvendo o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) e o presidente teria sido firmado, apesar de desmentido por aliados próximos, porém, agora, o embate deve ser a tônica? 

As recentes “cutucadas” do presidente Lula, tanto ao ex-prefeito, quanto ao prefeito de Salvador Bruno Reis (União), apresentaram o “cartão de visitas” do que deve estar por vir durante o processo eleitoral e o avançar da campanha. No entendimento de lideranças governistas na Bahia, esse pacto, tanto pelo “prazo” quanto pelo “teor”, atualmente não seria mais viável e, pelo contrário, o que deve ser visto na Bahia é um “Lula menos paz e amor” com a oposição. 

Lula fez questão de relembrar e voltou a criticar o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União), durante agenda na Bahia, na última semana. Em discurso, Lula relembrou a polêmica envolvendo a autodeclaração racial do político nas eleições de 2022. “O teu adversário é tão mentiroso que chegou a querer passar por negro”, disse Lula olhando para o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Não parou por aí, no dia seguinte, fez uma cobrança pública ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), após ouvir o pedido de uma criança para que fossem retiradas pichações de casarões e muros da capital baiana.

A declaração ocorreu durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, em que o governo federal anunciou entregas nas áreas de educação, saúde e habitação em cidades de diferentes estados. Ao relatar a situação em Salvador, o menino afirmou que gostaria de ver os imóveis abandonados com nova pintura. A ofensiva pode ter sido planejada. 

Aliados apontam que alguns fatores tem sido indicados como preponderantes para a “subida de tom”  de forma escancarada, partindo para as “espetadas” públicas. Partindo de 2022, a postura do ex-prefeito ACM Neto tem sido uma delas, já que, diretamente da Bahia, Neto foi um dos críticos mais contundentes da gestão do presidente Lula. Desde o início do Lula III, Neto já apontava para problemas na condução do governo, não se furtando de criticar de forma contundente a gestão. 

Para além disso, o “arco de apoio” de Neto também deve pesar nisso. Entre os exemplos citados estão o do senador Angelo Coronel (Republicanos), que declarou abertamente apoio a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República, o pré-candidato a vice, ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP), que da mesma forma tende a apoiar Flávio, além de outro colega de chapa, o pré-candidato ao Senado João Roma (PL), fortemente ligado ao bolsonarismo. Com isso, “cercado” por apoiadores do principal adversário de Lula, Neto também deve ser alvo do atual presidente. 

Um ponto sinalizado por outro interlocutor do grupo é que o “ritmo mais lento” de Lula nas eleições de 2022 também produziu dividendos para ACM Neto na disputa. O conhecido voto “LulaNeto”, onde os eleitores baianos nacionalmente votavam em Lula e, na disputa estadual acabavam votando no ex-prefeito, deve ser “contornado” nesta disputa com a mudança da atitude. “Lula irá [para o embate]. Ele tem mais a lucrar transformando o LulaNeto em LulaJero do que se conformando com isso”, apontou um interlocutor procurado pela reportagem. 

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