O senador Jaques Wagner (PT-BA) e sua esposa, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, realizaram uma viagem, em outubro de 2023, para a chamada Ilha da Paixão, no litoral da Bahia, em uma aeronave pertencente ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. A informação consta em relatório da Polícia Federal (PF), tornado público nesta quinta-feira (30) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
O documento integra as investigações que apuram possíveis vantagens concedidas por gestores do Banco Master ao senador e a pessoas de seu núcleo familiar. Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero.
Segundo a PF, a viagem começou a ser organizada em 11 de outubro de 2023, quando o senador confirmou, por mensagem de áudio enviada a Augusto Lima, que ele e a esposa aceitariam o convite. “Tudo indica que Fatinha topa ir no sábado”, afirmou Wagner.
Dois dias depois, o empresário encaminhou ao parlamentar informações sobre o voo, incluindo o prefixo da aeronave e o horário previsto para a decolagem. A Polícia Federal concluiu que o destino foi a Ilha da Paixão com base em mensagens trocadas entre os envolvidos e em fotografias compartilhadas no grupo de WhatsApp “Família Brahia”, que mostram familiares e convidados reunidos no local durante o fim de semana.
Após a viagem, Maria de Fátima enviou mensagens de agradecimento ao empresário. Entre elas, escreveu: “Obrigada sempre e firme sempre no que vc quer”, seguida de “E merece tudo de melhor” e “A gente ama vcs”. Augusto Lima respondeu: “Amamos vocês!! Bj no coração”. Em seguida, a esposa do senador informou que o casal havia chegado ao destino e afirmou que estava “tudo lindo”.
No relatório, a PF considera as mensagens como indícios da relação pessoal e familiar entre Jaques Wagner e Augusto Lima. No entanto, os investigadores destacam que o material não esclarece o significado da expressão “firme sempre no que vc quer” nem a vincula a qualquer ato político ou financeiro específico.
As investigações também apontam que, embora a Ilha da Paixão não estivesse registrada formalmente em nome de Augusto Lima, mensagens analisadas indicariam que o empresário exercia a posse e o controle do imóvel.
De acordo com a Polícia Federal, esse episódio faz parte de um conjunto de pelo menos quatro ocasiões em que Jaques Wagner teria utilizado aeronaves pertencentes a Augusto Lima ou operadas por pilotos ligados ao empresário e ao Banco Master.
Os investigadores afirmam ainda que não foram encontrados comprovantes de pagamento ou qualquer outra forma de contraprestação pelos voos realizados. Os fatos são tratados como possíveis vantagens econômicas dentro do contexto da investigação, mas, segundo a PF, ainda não constituem prova definitiva da prática de corrupção.
Até a publicação da reportagem, a defesa de Jaques Wagner não havia se manifestado sobre o conteúdo do relatório. Quando foi alvo da operação, em junho, o senador negou ter atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro.


