Cientistas chineses desenvolvem enxerto muscular que se contrai sozinho e pode reproduzir efeitos do exercício

Tecnologia foi testada em camundongos e melhorou massa muscular, força e densidade óssea; aplicação em humanos ainda depende de estudos de segurança

Por Gaby Santana 

 

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram um enxerto muscular capaz de se contrair continuamente sem estímulos externos e produzir efeitos semelhantes aos observados durante a prática de exercícios físicos. O estudo foi publicado na quarta-feira (26) na revista científica Nature Aging.

Chamado de “myograft”, o método utiliza células musculares cultivadas em laboratório e implantadas sob a pele. Nos testes, as células se organizaram em um tecido muscular vascularizado que passou a realizar contrações espontâneas e contínuas.

Em modelos de camundongos idosos e obesos, os pesquisadores observaram aumento da massa e da função muscular, além de melhorias na densidade óssea e no metabolismo. Também foram identificados efeitos positivos sobre resistência física, função hepática e alguns indicadores relacionados ao envelhecimento.

A ideia é criar uma alternativa para pessoas que não conseguem realizar exercícios normalmente, como pacientes acamados, idosos frágeis ou indivíduos com determinadas doenças que limitam a mobilidade. Segundo os pesquisadores, o tecido implantado pode funcionar como uma espécie de “fábrica biológica”, liberando substâncias capazes de atuar em diferentes partes do organismo.

O avanço ganha importância diante do rápido envelhecimento da população chinesa. Ao final de 2025, o país tinha 323 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 23% da população. A projeção é de que esse número ultrapasse 400 milhões até 2035.

Apesar dos resultados, a tecnologia ainda está longe de substituir a academia ou o exercício convencional. Os experimentos foram realizados em animais, e testes em seres humanos ainda serão necessários para avaliar segurança, eficácia e possíveis efeitos adversos. Os próprios autores classificam o trabalho como uma etapa inicial para futuras aplicações médicas.

A pesquisa, portanto, não significa que será possível “malhar sem fazer esforço” no futuro próximo. O principal potencial apontado pelos cientistas está no tratamento da perda muscular associada ao envelhecimento, doenças crônicas e longos períodos de imobilização.

 

 

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