Plano de saúde já consome até 20% da folha de pagamento de empresas

Aumento dos custos médicos faz benefício ganhar peso nas contas das companhias e amplia uso da coparticipação

Por Ana Sampaio

 

O plano de saúde deixou de ser apenas um benefício oferecido pelo setor de Recursos Humanos e passou a ocupar um espaço cada vez maior no planejamento financeiro das empresas. Em alguns setores, o custo do benefício já representa entre 15% e 20% da folha de pagamento, segundo levantamento divulgado pela revista Veja.

Um dos principais motivos é que os gastos com planos de saúde vêm crescendo acima da inflação. Para 2026, os reajustes dos contratos coletivos empresariais são estimados em cerca de 10%, enquanto a inflação projetada para o ano está próxima de 4,8%.

Na prática, isso significa que as empresas precisam desembolsar cada vez mais para manter o mesmo benefício oferecido aos funcionários.

Diante desse cenário, operadoras e empresas passaram a buscar alternativas para controlar as despesas. Uma delas é a coparticipação, modelo em que o trabalhador paga uma parte do custo quando utiliza determinados serviços médicos, como consultas e exames.

A participação desse tipo de contrato vem aumentando. Nos últimos quatro anos, os planos empresariais com coparticipação cresceram seis pontos percentuais, de acordo com os dados apresentados no levantamento.

Outra estratégia apontada por especialistas é investir em prevenção e acompanhamento da saúde dos funcionários, em vez de agir apenas quando os gastos médicos já aumentaram.

Programas estruturados de prevenção podem gerar retorno de até 60% acima do valor investido, segundo especialistas citados pela publicação. A lógica é reduzir a ocorrência de doenças e complicações que acabam gerando tratamentos mais caros.

Apesar disso, o uso de dados para acompanhar a saúde dos funcionários ainda é pouco comum entre as empresas brasileiras. Menos de 5% das companhias utilizam informações de saúde de forma estruturada para controlar custos, indo além da simples negociação ou aplicação do reajuste anual.

O cenário mostra que o plano de saúde está se tornando uma questão cada vez mais importante para o orçamento das empresas. Para os trabalhadores, por outro lado, a expansão da coparticipação pode significar uma mudança na forma de utilizar o benefício e uma maior participação nos custos dos atendimentos.

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