PIB cresce, mas economia perde força e consumo das famílias recua

PIB do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, mas ritmo de expansão perdeu força diante dos juros altos e da queda no consumo das famílias

Por Ana Sampaio

 

A economia brasileira continuou crescendo no segundo trimestre de 2026, mas em um ritmo menor. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% entre abril e junho, na comparação com os três primeiros meses do ano.

O resultado representa uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a economia havia crescido 1,1%. Mesmo assim, o desempenho ficou um pouco acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,4%.

O PIB é um dos principais indicadores da economia porque mede o valor dos bens e serviços produzidos no país em determinado período. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 2,0%.

Agropecuária foi o destaque

O principal motor da economia no trimestre foi a agropecuária, que cresceu 2,8% em relação ao primeiro trimestre. O desempenho foi favorecido principalmente pela produção agrícola e pela pecuária.

Já a indústria avançou apenas 0,1%, enquanto o setor de serviços cresceu 0,2%, mostrando que boa parte da economia ficou praticamente estável no período.

Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, porém, os três grandes setores apresentaram crescimento: agropecuária, 6,8%; indústria, 1,5%; e serviços, 1,5%.

Famílias reduziram o consumo

Um dos sinais de perda de força da economia veio do consumo das famílias. Os gastos recuaram 0,4% no segundo trimestre, depois de terem crescido 0,8% nos três primeiros meses do ano.

A queda ocorre em um cenário de juros ainda elevados, que encarecem empréstimos e financiamentos e dificultam o consumo. A taxa Selic estava em 14% ao ano no período.

Mesmo com a desaceleração, a economia brasileira acumulou crescimento de cerca de 2% nos últimos quatro trimestres, mantendo a atividade em expansão.

O resultado mostra, portanto, uma economia que ainda cresce, mas enfrenta obstáculos para manter o ritmo. Para os próximos meses, juros elevados, endividamento das famílias e menor consumo aparecem entre os principais fatores de preocupação para a atividade econômica.

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