Mensagens, áudios e outros dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, colocaram dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no centro das discussões envolvendo o banco.
De um lado, diálogos atribuídos a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes mostram o banqueiro buscando orientações enquanto enfrentava o avanço das investigações sobre o Banco Master.
De outro, informações divulgadas pela newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, apontam que Vorcaro teve um encontro reservado com o ministro André Mendonça, em São Paulo, em março de 2025.
Os dois episódios são distintos, mas passaram a ser analisados dentro do mesmo contexto: a investigação sobre as operações do Banco Master e os contatos mantidos por Vorcaro com autoridades.
Conversas com Alexandre de Moraes
Segundo informações atribuídas a um relatório da Polícia Federal, foram identificadas 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Nos diálogos, o banqueiro aparece pedindo orientações ao ministro durante o período em que aumentava a pressão sobre o Banco Master.
Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta se seria possível reverter medidas envolvendo as investigações e cita o então procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As conversas também mostram Vorcaro perguntando sobre possíveis movimentações das autoridades e demonstrando preocupação com uma eventual prisão.
Dias depois de algumas dessas mensagens, o banqueiro foi preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular com destino ao exterior.
Contrato de R$ 131 milhões
O material analisado pela Polícia Federal também levantou questionamentos sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre uma empresa ligada a Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Segundo a investigação divulgada, um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” teria participado da edição do contrato.
O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação. Segundo a defesa, não teria sido identificada restrição que impedisse o acordo.
Outro contrato, no valor de R$ 50 milhões, também teria sido firmado entre o escritório e uma empresa ligada a Vorcaro. Parte desse acordo teria sido paga por meio de cotas de um avião particular.
A existência dos contratos, porém, não significa, por si só, que tenha ocorrido irregularidade. O assunto está sendo analisado no âmbito das investigações.
Encontro com André Mendonça
Paralelamente, mensagens e áudios encontrados no celular de Vorcaro apontam para um encontro entre o banqueiro e o ministro André Mendonça, em 14 de março de 2025, em São Paulo.
Segundo a reportagem da Noites Húngaras, a reunião durou aproximadamente duas horas e ocorreu no endereço do Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça.
O encontro, de acordo com a publicação, não aparecia em uma agenda pública conhecida do ministro.
O material também indica que a aproximação entre Vorcaro e Mendonça teria sido articulada durante semanas pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Articulação começou semanas antes
As mensagens indicam que os contatos começaram em fevereiro de 2025.
No dia 7 de fevereiro, Ciro teria tentado falar com Vorcaro por telefone. Depois das ligações, enviou mensagens ao banqueiro e informou que estava com André Mendonça.
No dia seguinte, o advogado teria enviado uma fotografia em que aparecia ao lado do ministro e um áudio dizendo que estava “trabalhando” pelo banqueiro.
O encontro entre Vorcaro e Mendonça ocorreu pouco mais de um mês depois.
A reportagem também afirma que Mendonça já teria conhecimento de problemas enfrentados pelo Banco Master junto ao Banco Central antes da reunião.
O que está sendo investigado
Os dois episódios chamam atenção porque ocorreram enquanto o Banco Master enfrentava uma série de problemas e era alvo de investigações.
No caso de Alexandre de Moraes, as mensagens reveladas levantaram questionamentos sobre a proximidade entre o ministro e o banqueiro, principalmente diante dos pedidos de orientação feitos por Vorcaro durante o avanço das investigações.
No caso de André Mendonça, o principal ponto a ser esclarecido é qual foi o objetivo da reunião e se o encontro teve alguma relação com os problemas enfrentados pelo Banco Master.
Até o momento, a existência dos contatos e do encontro não comprova, por si só, crime ou favorecimento.
Caso deve avançar no STF
O ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação que envolve as mensagens e os contatos relacionados ao caso.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também se manifestou sobre a investigação e questionou a forma como o procedimento está sendo conduzido.
A expectativa é de que o caso seja discutido pelo plenário do STF, enquanto as investigações continuam.
O conteúdo encontrado no celular de Daniel Vorcaro deverá ser confrontado com outros documentos, depoimentos e registros para determinar se houve alguma irregularidade nas relações mantidas pelo banqueiro com integrantes do Judiciário e outras autoridades.
Enquanto isso, o caso do Banco Master continua produzindo novos desdobramentos e aumentando a pressão sobre instituições financeiras, autoridades públicas e o próprio Supremo Tribunal Federal.

