O Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa controlada pelo empresário Lucas Kallas. A operação foi realizada em 2024, quando Mendonça ainda integrava o quadro societário da instituição.
O recurso foi repassado por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade em que o valor emprestado pode posteriormente ser transformado em participação societária. O acordo estabelecia inicialmente um limite de R$ 5,9 milhões, segundo informações divulgadas pelo UOL.
A relação entre a operação e o caso Banco Master passou a chamar atenção porque Kallas manteve negócios com empresas que também tiveram participação de Daniel Vorcaro. Entre os exemplos citados pelo UOL estão a companhia de biotecnologia Biomm e a gestora Latache Capital. A Cedro, no entanto, afirma que Vorcaro nunca foi seu sócio e contesta a definição de que os dois empresários mantivessem uma sociedade.
Segundo o Instituto Iter, os recursos foram utilizados para custear a implantação e o funcionamento da instituição. A entidade afirma que o dinheiro permaneceu em sua conta jurídica e teve destinação exclusiva para despesas relacionadas à estruturação e à operação do instituto.
Ainda de acordo com o Iter, a negociação foi conduzida pelo CEO Victor Godoy Veiga, ex-ministro da Educação, diretamente com representantes das áreas de investimentos e jurídica da Cedro. A instituição sustenta que Mendonça e Kallas não participaram das tratativas sobre valores, condições ou assinatura do contrato.
O instituto informou também que os repasses foram encerrados no fim de 2025, após a entidade alcançar, segundo sua própria avaliação, condições de sustentabilidade financeira. Em seguida, foi estabelecida a devolução antecipada do empréstimo, com atualização pela taxa Selic. O Iter começou a devolver os valores em janeiro de 2026 e, até o momento, teria quitado 5,3% do montante devido.
Mendonça deixou o quadro societário do Iter em setembro de 2026. A saída ocorreu meses depois de o ministro assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master. Registros do próprio STF mostram Mendonça à frente de procedimentos relacionados à investigação envolvendo Daniel Vorcaro e o banco.
A Cedro declarou que seus negócios com empresas nas quais Vorcaro também possuía investimentos não significam que o empresário tenha sido seu sócio. A empresa sustenta que os investimentos foram realizados de forma independente em companhias abertas e que não havia vínculo societário direto entre Kallas e Vorcaro.
O Iter também negou qualquer relação institucional com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro. A entidade afirma que o contrato com a Cedro foi firmado antes de Mendonça assumir a relatoria do caso e que acontecimentos posteriores à assinatura não alteram a natureza do empréstimo.
Até o momento, a existência do contrato entre a Cedro e o Iter não constitui, por si só, comprovação de irregularidade ou de interferência na atuação de André Mendonça no caso Banco Master. As informações sobre a operação e as relações empresariais foram divulgadas em meio às discussões sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo integrantes do STF.

