Clubes brasileiros se mobilizam contra possível proibição de bets e defendem manutenção das apostas esportivas

Clubes e federações estaduais de futebol se mobilizaram nesta quinta-feira (17) diante da possibilidade de o governo federal editar uma Medida Provisória (MP) para restringir o mercado de apostas e jogos on-line no Brasil. Dirigentes se reuniram no Rio de Janeiro e elaboraram um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas.

A articulação começou em São Paulo e posteriormente envolveu representantes das federações do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, além de clubes dessas regiões. O movimento ganhou força após o governo discutir mudanças nas regras do setor.

No manifesto, os clubes afirmam que as empresas de apostas autorizadas se tornaram uma das principais fontes de recursos do futebol. Segundo as entidades, os investimentos do setor alcançam não apenas os grandes clubes, mas também equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.

A reunião no Rio contou com representantes de casas de apostas e dirigentes de clubes como Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. Entre os participantes estiveram os presidentes Luiz Eduardo Baptista, do Flamengo, e Mattheus Montenegro, do Fluminense.

Os dirigentes sustentam que uma mudança brusca nas regras poderia afetar diferentes fontes de receita do futebol. Além dos contratos de patrocínio, eles apontam possíveis reflexos sobre publicidade, direitos de transmissão e investimentos destinados às equipes.

De acordo com informações divulgadas pelo UOL, 13 clubes da Série A possuem atualmente contratos de patrocínio master com empresas de apostas, com impacto estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão nessa modalidade de receita.

Apesar da reação dos clubes, a proposta discutida pelo governo não necessariamente representa uma proibição das apostas esportivas. Segundo o ge, o texto em análise teria como alvo principal os jogos de cassino on-line, enquanto as apostas esportivas poderiam permanecer permitidas. A medida, no entanto, afetaria empresas que atuam nos dois segmentos e, consequentemente, poderia reduzir investimentos no esporte.

O manifesto também reconhece os problemas sociais relacionados ao crescimento das apostas e defende o reforço de mecanismos de proteção, fiscalização, educação e prevenção. As entidades argumentam que o enfrentamento das plataformas ilegais deve ocorrer por meio de fiscalização e aperfeiçoamento da regulamentação.

A expressão de que uma eventual proibição poderia representar o “fim do futebol brasileiro” faz parte do discurso adotado pelos próprios clubes no manifesto e não constitui uma previsão independente sobre os efeitos da medida. O governo ainda avalia o formato e o alcance das possíveis mudanças no setor.

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