PeNSE 2024 mostra que adolescentes estão adiando início da vida sexual no Brasil

Pesquisa do IBGE aponta queda na proporção de estudantes que já tiveram relação sexual, mas revela desafios no uso de preservativos e na prevenção da gravidez.

A proporção de adolescentes que já tiveram relação sexual caiu no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE. Entre os estudantes de 13 a 17 anos, 30,4% disseram já ter tido relação sexual, uma redução de 5 pontos percentuais em relação a 2019 e de 7,1 pontos na comparação com 2015.

A iniciação sexual mais tardia foi observada entre meninos e meninas. Ainda assim, o percentual foi maior entre os estudantes do sexo masculino: 34,1%, contra 26,8% entre as meninas. Entre aqueles que já haviam iniciado a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira relação aos 13 anos ou menos.

Também existe diferença de acordo com a rede de ensino. Nas escolas públicas, 32,7% dos estudantes declararam já ter tido relação sexual, enquanto o percentual foi de 18,3% entre alunos da rede privada.

Uso de preservativo

Apesar da redução na iniciação sexual, a pesquisa chama atenção para a prevenção. 61,7% dos adolescentes que já tiveram relação sexual não usaram camisinha na primeira vez.

O percentual foi de 58,6% entre estudantes de 13 a 15 anos e de 64% entre aqueles de 16 e 17 anos. A pesquisa também identificou diferenças entre os estados brasileiros.

A contracepção de emergência, conhecida como pílula do dia seguinte, também aparece entre os métodos utilizados. Na edição de 2024, o IBGE identificou que 42,1% das meninas que já haviam iniciado a vida sexual declararam ter usado o método alguma vez.

Gravidez na adolescência

A PeNSE estimou que 121 mil meninas de 13 a 17 anos já haviam engravidado alguma vez. O número corresponde a 7,3% das adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual.

O percentual foi maior entre meninas de 13 a 15 anos, com 8,6%, enquanto entre as adolescentes de 16 e 17 anos ficou em 6,6%.

Regionalmente, o Norte apresentou o maior percentual, de 10,7%. Entre os estados, o Amazonas registrou 14,2%.

A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. A edição de 2024 pesquisou estudantes de escolas públicas e privadas e reúne informações sobre saúde sexual e reprodutiva, violência, saúde mental, alimentação, atividade física e outros fatores relacionados à saúde dos adolescentes.

O IBGE informou ainda que os resultados e tabelas da edição de 2024 passaram por atualizações metodológicas e correções após a divulgação inicial, mantendo disponíveis os dados revisados no portal da pesquisa.

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