Em um movimento que antecipa os debates sobre a corrida presidencial de 2026, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), defendeu a construção de uma candidatura única que una centro-direita e direita em torno de um projeto competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista ao O Globo, repercutida por diversos veículos nesta terça-feira (27), ACM Neto foi enfático ao afirmar que a direita precisa se reorganizar e evitar os erros de 2022. Ele ressaltou o papel de Jair Bolsonaro (PL), mesmo inelegível, como peça central no jogo político da direita. “Não há como ignorar o maior eleitor da direita no país”, afirmou.
Segundo o ex-prefeito, o principal desafio da direita não é a falta de nomes, mas a rejeição elevada que alguns candidatos enfrentam. “A eleição passada foi definida pela rejeição, não pela força de um campo político. Precisamos de um nome viável, com capacidade de dialogar e vencer”, disse.
ACM Neto criticou duramente a neutralidade adotada por parte do União Brasil nas últimas eleições e sinalizou que a legenda não pode repetir esse posicionamento. Para ele, o partido precisa assumir uma postura clara de oposição ao PT. “Não podemos ser omissos. A oposição precisa se afirmar com responsabilidade e coesão”, afirmou.
Nos bastidores, cresce a movimentação dentro da federação União Brasil–PP, que, segundo o presidente da sigla, Antônio Rueda, quer protagonismo na chapa presidencial. ACM Neto reforçou essa intenção e disse que o foco agora é encontrar um nome que represente o centro e a direita com capacidade de diálogo amplo.
Entre os nomes em discussão, Ronaldo Caiado, governador de Goiás, aparece como pré-candidato do União Brasil. Embora não tenha declarado apoio formal, ACM Neto elogiou o perfil de Caiado: “É um político experiente, aberto ao diálogo, mesmo com as divergências recentes com Bolsonaro. Ele não será um obstáculo, mas um facilitador no processo de unificação”.
A fala de ACM Neto marca um novo capítulo nas articulações da direita brasileira, que busca se reestruturar após duas derrotas consecutivas para o campo progressista. A disputa por espaço, porém, ainda promete embates internos — e a busca por um nome que una sem polarizar será o maior desafio da aliança.
Fonte: Blog de Valente
