Por Brício Lopes
O agricultor que teve o filho morto, durante uma ação policial, no domingo (16), na zona rural de Mutuípe disse que pretende procurar a justiça esta semana. Ainda abalado pela tragédia, ele não quis gravar entrevista, mas conversou sobre o assunto.
Romildo Reis dos Santos, conhecido como Dário, contou que seu filho, Felipe Silva de 18 anos, estava com outros três amigos, quando foram surpreendidos pelos policiais. Os adolescentes foram flagrados empinando suas motocicletas e fugiram ao avistar a viatura da Polícia Militar.
A Rádio Interativa apurou que o local do episódio foi na localidade da Água Fria, zona rural de Mutuípe e não na Cachoeira Alta que fica em Presidente Tancredo Neves, como informou a PM, na nota enviada à imprensa.
De acordo com a versão da PM, os policiais realizavam buscas por suspeitos que tentaram assassinar um policial civil horas antes. Um morador da localidade que não quis se identificar confirmou que o adolescente estava desarmado quando foi atingido nas costas por 3 disparos. O jovem ainda foi socorrido pelos policiais para o hospital municipal de Presidente Tancredo Neves, porém, não resistiu aos ferimentos.
O Major Polako, comandante da 60ª Companhia Independente de Polícia Militar, informou que ‘‘só iria se manifestar através da nota enviada semana passada’’.
Profundamente abatido, o agricultor que mora na localidade do Corte Peixoto, zona rural de Jiquiriçá contou que não está dormindo direito. ‘‘Ainda não consegui dormir. Meu sono tá sendo de apenas 2 horas por noite. Vou procurar um médico essa semana’’.
Perguntado como era sua relação com o filho, ele afirmou que era ótima. ‘‘Quando eu saía, ele que resolvia minhas coisas com os trabalhadores. Ele era meu braço direito. Ele era tudo que eu tinha’’. O agricultor afirmou que nesta segunda-feira, (24) vai registar um boletim de ocorrência na delegacia de Presidente Tancredo Neves.
Em números absolutos, a Bahia tem a maior taxa de letalidade policial do país. Somente no ano passado, foram 1.557 pessoas assassinadas pela polícia baiana. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o estado já registrou 1.252 mortes por policiais de janeiro a setembro deste ano.
