Por Ana Sampaio
No início de 2026, o mercado de cacau na Bahia segue em evidência, com a cotação da arroba (15 kg) mantendo-se em cerca de R$ 385,00, refletindo oscilações recentes no preço pago ao produtor e as condições do mercado interno e internacional.
A Bahia permanece como o principal estado produtor de cacau no Brasil, com forte presença da agricultura familiar, que responde por uma grande parte dos estabelecimentos rurais dedicados à cultura. Essa base familiar tem sido apontada como um motor essencial para a retomada e consolidação da produção no estado, impulsionando volume e qualidade do cacau produzido. Ao mesmo tempo, o estado vem investindo em políticas públicas e incentivos estruturais para fortalecer a lavoura. Programas como ‘Parceiros da Mata’ e iniciativas de crédito do Plano Safra têm direcionado recursos e assistência técnica a milhares de famílias rurais, buscando elevar a produtividade e sustentabilidade da produção cacaueira.
Crescimento da produção e perspectiva regional
Segundo projeções do IBGE e da Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), a produção agrícola estadual — incluindo o cacau — deve crescer em 2026, com a cultura prevista para aumentar em cerca de 5,3% em relação ao ano anterior. Isso confirma o cacau como um dos principais impulsionadores do setor agrícola baiano.
Paralelamente, o crescimento no oeste do estado, tradicionalmente não associado à produção cacaueira, tem chamado atenção. Novos investimentos podem gerar milhares de empregos e bilhões de reais em investimentos na cadeia produtiva nos próximos anos, expandindo a área plantada e criando novas oportunidades para produtores locais.
Realidades distintas no campo
Apesar dos avanços macroeconômicos, a vida no campo — especialmente para pequenos produtores — nem sempre reflete o otimismo dos números de exportação e investimento. Em algumas regiões do sul da Bahia, agricultores enfrentam desafios históricos como produtividade desigual, solos exigentes e doenças como a vassoura-de-bruxa, que prejudicam colheitas e exigem maiores insumos e assistência técnica.
Além disso, mesmo com preços de mercado atraentes em determinados períodos, muitos produtores convivem com margens apertadas e custos elevados de produção. Em áreas onde predomina a agricultura familiar, a dependência de condições climáticas, acesso a crédito e estrutura de escoamento ainda é uma realidade constante no cotidiano rural.
Integração com o mercado global
O cacau baiano também é fortemente influenciado por fatores externos. O preço global da commodity tem sido volátil nos últimos anos — com picos que chegaram a recordes históricos e quedas subsequentes — impactando diretamente o valor recebido pelos agricultores brasileiros.
Ao mesmo tempo, o incremento das exportações já colocou a Bahia como um protagonista na cadeia internacional de cacau — com valor exportado mais que dobrando em 2024 em comparação ao ano anterior, destacando a importância do estado no cenário global.
O início de 2026 para o cacau na Bahia mistura potencial de crescimento e valorização internacional com os desafios cotidianos dos agricultores, em especial dos pequenos produtores. Enquanto políticas públicas e expansão de fronteiras produtivas prometem fortalecer a cadeia, as realidades no campo mostram que a cultura cacaueira ainda exige apoio, tecnologia e adaptação para garantir sustentabilidade e prosperidade rural a longo prazo.
