Condenado por massacre em cinema é visto com frequência em shopping de Salvador e gera apreensão entre lojistas

Por Ana Sampaio

A presença frequente de Mateus da Costa Meira, de 51 anos, nas dependências do Shopping Barra, em Salvador, tem gerado preocupação entre comerciantes e frequentadores do centro comercial. Condenado pelo ataque a tiros que matou três pessoas e deixou outras nove feridas durante uma sessão de cinema em São Paulo, em 1999, ele foi colocado em liberdade pela Justiça da Bahia em 2024.

Segundo relatos de lojistas, Mateus tem sido visto regularmente circulando por áreas como cafés, livrarias e salas de cinema do empreendimento localizado na Avenida Centenário. A presença dele passou a ser comentada entre comerciantes, que relatam um clima de apreensão.

A comerciante Janaína Chaseliov afirmou que a informação se espalhou entre os lojistas e provocou preocupação. O médico Marco Antônio Damasceno, que conhece Mateus desde a infância, também confirmou que o ex-estudante frequenta o local e demonstrou receio em relação ao comportamento dele.

Caso ganhou repercussão nacional em 1999

Mateus da Costa Meira ficou conhecido nacionalmente após o ataque ocorrido em 3 de novembro de 1999, dentro de uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo. Na ocasião, ele entrou armado durante uma sessão do filme Clube da Luta e efetuou disparos contra o público.

O crime deixou três mortos e nove pessoas feridas. À época, Mateus era estudante de Medicina e foi preso logo após o ataque.

Condenado inicialmente a 120 anos de prisão, ele teve a pena revista após avaliações psiquiátricas que apontaram transtornos mentais. O caso passou a ser tratado pela Justiça como medida de segurança, com internação em unidade psiquiátrica.

Após anos internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia, em Salvador, Mateus conseguiu autorização judicial para deixar a unidade em 2024, seguindo determinações impostas pela Justiça.

Shopping Barra afirma que mantém segurança reforçada

Em nota, o Shopping Barra informou que acompanha “com atenção, responsabilidade e sensibilidade” as informações divulgadas recentemente pela imprensa e pelas redes sociais.

A administração esclareceu que a imagem que circula em publicações sobre o caso é de 2024 e foi identificada por meio de uma peça publicitária que aparece ao fundo da fotografia.

O shopping destacou ainda que a segurança de clientes, lojistas, colaboradores e visitantes é uma “prioridade permanente” e afirmou manter protocolos de segurança com monitoramento por câmeras, equipes especializadas e integração com órgãos públicos.

Apesar da repercussão, não há registro de novos crimes ou ocorrências envolvendo Mateus da Costa Meira durante as visitas ao Shopping Barra. O episódio reacende discussões sobre acompanhamento, reinserção social e segurança em espaços de grande circulação.

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