Diesel pode subir com petróleo a US$ 100 e governo tenta evitar greve de caminhoneiros

A disparada do diesel acendeu o sinal de alerta no Palácio do Planalto. Com o barril de petróleo próximo de US$ 100 no mercado internacional, reflexo das tensões no Estreito de Ormuz, o governo agendou uma reunião de emergência para esta quarta-feira (25) visando desarmar uma potencial greve de caminhoneiros.

Boulos na mediação política

O governo federal definiu uma nova estratégia para conter a crise dos combustíveis. O deputado Guilherme Boulos (PSOL) foi acionado para atuar como interlocutor político entre o Palácio do Planalto e lideranças dos transportadores autônomos (CNTA e CNTRC).

A decisão ocorre às vésperas da reunião desta quarta-feira no Ministério dos Transportes, que contará com o ministro Renan Filho e técnicos da Casa Civil.

A escolha de Boulos visa imprimir um caráter de “diálogo social” a uma pauta que pressiona diretamente o orçamento. O objetivo é estabelecer uma ponte política com a categoria antes que a insatisfação com o preço do diesel resulte em paralisações.

Por que o “efeito Trump” não chega às bombas?

Embora mudanças nas sanções e restrições ao petróleo russo tenham dado algum fôlego ao mercado global, o cenário para o transporte brasileiro continua crítico. O impacto das tensões no Estreito de Ormuz sobre o preço do petróleo anula os ganhos externos e mantém a pressão sobre o preço final nas bombas.

A solução fiscal e os dividendos da Petrobras

O governo federal enfrenta uma encruzilhada decisiva entre a pacificação das rodovias e a preservação do ajuste fiscal. Para evitar a repetição do modelo de subsídios diretos de 2018, que comprometeria as metas econômicas de 2026, a solução que ganha força nos bastidores é a possibilidade em estudo de direcionar parte dos dividendos da Petrobras para um mecanismo de compensação de preços, iniciativa que ainda dependeria de desenho legal e enquadramento fiscal.

A proposta prevê que esses recursos alimentem um fundo de estabilização, servindo como um “colchão” para amortecer a volatilidade dos preços internacionais sem ferir diretamente o Orçamento da União.

Fonte: Jornal Correio

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