Por Ana Sampaio
No início de 2025, o Brasil implementou uma das mudanças mais significativas em seu sistema educacional nas últimas décadas: a proibição do uso de celulares por estudantes durante todo o período escolar — incluindo aulas, recreios e intervalos — com o objetivo declarado de reduzir distrações, melhorar a aprendizagem e proteger a saúde mental de crianças e adolescentes.
A Lei nº 15.100, sancionada em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se obrigatória em todas as escolas públicas e privadas do país após décadas em que estados e redes escolares já vinham adotando restrições mais frágeis ou fragmentadas.
Resultados que agradam, mas nem todos concordam
A aplicação da lei revelou resultados mistos ao longo do ano letivo:
Melhora na atenção em sala de aula: Pesquisas realizadas por uma frente parlamentar com apoio de instituições internacionais apontam que até 88% dos estudantes relataram que conseguem prestar mais atenção nas aulas em comparação a antes da proibição.
Redução de comportamentos indesejados: Segundo dados levantados com gestores e professores, houve relato de queda no cyberbullying em cerca de 77% das escolas, embora menos da metade dos próprios alunos tenha percebido essa mudança direta no convívio diário.
Mais socialização nos intervalos: Diretores escolares registraram que espaços como pátios e recreios voltaram a ser ambientes de interação presencial, jogos e conversas, em contraste com grupos isolados diante de telas — algo que muitos pais e educadores consideram um retorno aos hábitos sociais de gerações anteriores.
Percepção familiar favorável: Pesquisas independentes realizadas ainda antes da lei mostra que mais de 80% dos pais apoiavam restrições ao uso de celulares na escola, com índices de aprovação chegando até 87% entre adultos com mais de 61 anos — um público especialmente valorizado nas pesquisas por sua influência sobre decisões familiares e comunitárias.
Desafios persistentes e opiniões divergentes
Apesar dos avanços apontados, educadores e especialistas alertam que a proibição, por si só, não resolve todos os problemas do ambiente escolar:
Ansiedade e tédio: Em algumas escolas, houve relato de aumento de ansiedade entre os alunos e sinais de tédio nos momentos de intervalo, o que sugere a necessidade de atividades alternativas estruturadas durante esses períodos.
Dificuldades de adaptação: Professores destacam que a simples retirada dos aparelhos não garante engajamento — há necessidade de aulas mais dinâmicas e estratégias pedagógicas que tornem o aprendizado mais atraente para os estudantes de hoje.
Controvérsias acadêmicas: Alguns estudos — como levantamento divulgado por veículos como a CNN Brasil — indicam que a proibição isolada não garante melhora automática no desempenho escolar, ao mesmo tempo em que reconhecem os efeitos negativos do excesso de uso de dispositivos fora da escola.
O olhar de quem vive a escola sem celular
Para muitos professores e gestores, a ausência de aparelhos facilitou a reconexão entre alunos e atividades presenciais, promovendo conversas face a face e o uso de materiais tradicionais — como livros e jogos educativos — que estavam sendo ofuscados pelas telas.
Pais e responsáveis, especialmente entre as gerações mais velhas, veem na medida um retorno a tempos em que a escola representava sobretudo um ambiente de aprendizado, convivência e descobertas reais — sem interrupções constantes de notificações e redes sociais.
Conclusão: um olhar equilibrado para o futuro
Após um ano de aplicação da lei, o balanço entre percepções positivas e críticas construtivas indica que a proibição de celulares nas escolas brasileiras se tornou um tema central no debate sobre educação no país. Seus efeitos vão além da simples ausência física de aparelhos — exigindo diálogo entre famílias, educadores e alunos para transformar essa mudança em uma política duradoura que combine foco, bem-estar e qualidade de ensino.
