Por Gaby Santana
O prolongamento da guerra entre Estados Unidos e Irã estaria aumentando a pressão sobre as Forças Armadas americanas. Segundo informações divulgadas pelo Washington Post, alguns dos principais comandantes militares dos Estados Unidos alertaram o secretário de Defesa, Pete Hegseth, sobre os impactos da manutenção das operações no Oriente Médio.
A preocupação é que a continuidade do conflito esteja consumindo recursos que também são necessários para outras missões americanas pelo mundo. Aeronaves, navios e militares foram deslocados para apoiar as operações contra o Irã, o que teria afetado atividades de treinamento e outras operações consideradas estratégicas.
As informações foram obtidas a partir do chamado Livro de Ordens do secretário de Defesa, um documento interno que reúne dados sobre a distribuição e a disponibilidade das forças militares americanas.
De acordo com a reportagem, comandantes responsáveis pelas operações dos Estados Unidos na Europa, no Pacífico e na América Latina registraram formalmente discordância em relação à permanência prolongada de tropas na região.
Parte dos militares americanos deve continuar no Oriente Médio até 2027, segundo as informações divulgadas. O conflito já se estende há cerca de seis meses, sem uma previsão clara para o encerramento das operações.
A Marinha americana estaria entre as forças mais pressionadas. Também há preocupação com o desgaste de equipamentos e com a redução de estoques de armamentos. Cerca de um quarto dos drones Reaper disponíveis para determinadas operações teria sido utilizado no conflito, segundo dados citados pelo Washington Post.
Pentágono contesta informações
O Pentágono nega que a capacidade militar dos Estados Unidos esteja comprometida. O porta-voz da instituição, Sean Parnell, afirmou que as Forças Armadas continuam preparadas para responder às ameaças e classificou a reportagem como imprecisa.
Parnell também criticou a divulgação de informações provenientes de documentos classificados e afirmou que divergências entre comandantes fazem parte do processo interno de avaliação militar.
A declaração, no entanto, provocou outra discussão nos Estados Unidos. O porta-voz afirmou inicialmente que a publicação de informações confidenciais pela imprensa seria um crime.
A afirmação foi contestada por jornalistas, parlamentares e especialistas em direito constitucional. Eles lembraram uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de 1971, conhecida como caso dos Papéis do Pentágono, que reconheceu a proteção constitucional à publicação, pela imprensa, de informações classificadas pelo governo.
O episódio coloca em lados opostos o governo americano e veículos de imprensa em um momento de forte tensão política e militar. Enquanto o Pentágono afirma que mantém níveis adequados de prontidão, informações atribuídas a documentos internos apontam para preocupação de comandantes com o desgaste provocado pela duração da guerra e pela concentração de recursos no Oriente Médio.
Fonte: Independent/ Rhian Lubin em Nova York


