Por Gaby Santana
O Japão pretende acelerar a modernização de sua estrutura de defesa com o uso de drones, inteligência artificial (IA) e sistemas não tripulados. O Ministério da Defesa apresentou, na segunda-feira (31), um pedido de 8,9 trilhões de ienes, cerca de US$ 55,6 bilhões, para o ano fiscal de 2027, que começa em abril do próximo ano.
O valor representa um novo recorde e faz parte de uma sequência de aumentos nos gastos militares japoneses. Apesar disso, os 8,9 trilhões de ienes ainda não correspondem ao orçamento definitivo. Cerca de 160 itens do pedido ainda não tiveram valores definidos, e a previsão é que a cifra final seja estabelecida após a revisão da estratégia de segurança do país, prevista para ocorrer até o fim de 2026.
Entre as prioridades está a adaptação das Forças de Autodefesa às chamadas “novas formas de guerra”. O plano prevê sistemas de inteligência artificial para auxiliar na tomada de decisões, drones para reconhecimento e operações de ataque, veículos terrestres não tripulados e novas tecnologias para ampliar a capacidade militar japonesa.
A experiência da guerra na Ucrânia também influencia o planejamento. O conflito mostrou a importância dos drones em operações de reconhecimento, vigilância e ataques, além da necessidade de manter estoques de equipamentos e munições para situações de conflito prolongado. O Japão pretende incorporar essas lições à sua estrutura de defesa.
Pressão da China aumenta preocupação japonesa
O reforço militar ocorre em meio ao aumento das tensões no Leste Asiático. O Japão acompanha principalmente a expansão militar da China, além dos programas de mísseis e armas nucleares da Coreia do Norte e da atuação da Rússia na região.
O governo japonês também pretende ampliar sua capacidade de realizar ataques de longa distância, incluindo o desenvolvimento de mísseis hipersônicos lançados de plataformas submersas. A estratégia faz parte de uma mudança gradual na política de defesa do país, que historicamente adotou uma postura mais restritiva ao uso de força militar.
O atual plano de fortalecimento da defesa foi estabelecido em 2022 e prevê investimentos de aproximadamente 43 trilhões de ienes entre 2023 e 2027. A meta é manter os gastos militares em torno de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). O pedido apresentado agora corresponde ao último ano desse programa de cinco anos.
A expectativa é que o orçamento definitivo seja definido até o fim deste ano. Segundo análises publicadas após o anúncio, o valor final poderá superar 10 trilhões de ienes, dependendo das decisões tomadas durante a revisão da estratégia de segurança japonesa.
Fonte: Taimes Brasil/ The news


