A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, gastou R$ 10 mil no aluguel de uma peruca usada pelo ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro na produção.
Os valores constam em comprovantes bancários e notas fiscais apresentados à Polícia Federal (PF) pela defesa da produtora e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama. A documentação integra o inquérito que apura o financiamento do longa-metragem no contexto das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Segundo os documentos, o pagamento pela locação da peruca foi realizado em 5 de dezembro de 2025. O comprovante identifica a Go Up Entertainment como responsável pela transferência e traz a descrição “Locação Peruca Jim”.
Hospedagem e despesas do ator
As despesas com hospedagem também chamam atenção. Seis notas fiscais do Hotel Unique, em São Paulo, somam R$ 663.165,50 e registram como hóspedes James Patrick Caviezel, nome completo do ator, além de seu agente, Nathon Lewis, e Richard Dobrich.
Outras duas notas fiscais, que totalizam R$ 68.835,60, correspondem à hospedagem de Keith Billiot, identificado nos documentos como segurança de Caviezel.
A documentação registra ainda uma transferência de R$ 298.350,49 para o hotel, realizada em 30 de dezembro de 2025, com a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”.
Não foi localizada uma nota fiscal correspondente a esse pagamento. Os documentos também não detalham quanto do valor foi destinado especificamente à hospedagem, às gorjetas ou às massagens, nem esclarecem sua relação com as demais notas fiscais.
Além disso, uma fatura aponta R$ 54.332,46 em despesas com a passagem aérea de Caviezel, incluindo tarifa, taxa de embarque e outros custos. O documento considera o período de 1º de novembro a 8 de dezembro de 2025.
Documentos foram tornados públicos
Os documentos passaram a ser públicos após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo da investigação sobre o filme na sexta-feira (11). A medida ocorreu durante a ampliação da divulgação de processos relacionados ao caso Banco Master.
A abertura dos documentos havia começado na quinta-feira (10), após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia solicitado que os inquéritos relacionados ao caso fossem tornados públicos.
Os gastos descritos nos documentos fazem parte do material analisado pelas autoridades e, isoladamente, não comprovam irregularidades ou a existência de crime.

