O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, afirmou na noite deste domingo (25) que não reconhece o resultado da votação e anunciou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral para pedir a anulação do pleito. A declaração ocorreu após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos.
Flávio atribuiu o questionamento do resultado à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h o horário de votação em razão de dificuldades de transporte relatadas em diferentes localidades. O senador classificou a medida como uma mudança nas regras durante o processo eleitoral e afirmou que ela teria comprometido a igualdade entre os eleitores.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável”, declarou. Em seguida, afirmou que pretende acionar sua equipe jurídica para solicitar a anulação das eleições.
A decisão de Zanin foi tomada após pedidos relacionados a dificuldades de deslocamento de eleitores. A campanha de Flávio também havia solicitado a ampliação do horário de votação em municípios de cinco estados, embora com abrangência diferente da medida inicialmente determinada pelo ministro. Posteriormente, a extensão foi esclarecida para valer apenas nas seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação.
TSE rebate alegação sobre fiscais do PL
Durante a declaração, Flávio também afirmou que fiscais do Partido Liberal teriam sido retirados da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral durante a apuração.
A Justiça Eleitoral contestou a afirmação. Em esclarecimento publicado nesta segunda-feira (26), o TSE informou que a sala-cofre não é aberta à visitação e que dois fiscais do PL acompanharam o teste de integridade das urnas, a totalização e a divulgação dos resultados na Sala de Totalização. O tribunal classificou como falsa a alegação de que os representantes do partido teriam sido retirados do local.
O senador também questionou a diferença entre os procedimentos adotados em seções eleitorais que já haviam encerrado a votação e aquelas que permaneceram abertas após a decisão judicial. Segundo ele, não seria possível determinar quantos votos teria recebido nas localidades em que as urnas já estavam fechadas.
Presidente do TSE afirma ter segurança sobre o processo
Após a confirmação do resultado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, declarou ter segurança sobre a condução do processo eleitoral. A totalização confirmou a vitória de Lula por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou sobre o pleito. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o Ministério Público cumpriu sua função de fiscalizar as eleições, combater irregularidades e atuar para garantir o respeito à vontade dos eleitores.
Em manifestação divulgada na noite de domingo, Gonet destacou que o cumprimento das regras e o respeito ao resultado das urnas são importantes para o fortalecimento das instituições democráticas.
Até a publicação desta reportagem, o anúncio de Flávio Bolsonaro representava a intenção de apresentar um pedido judicial. A declaração, por si só, não altera o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral. Eventuais questionamentos deverão ser analisados pelas autoridades competentes.

