Por Ana Sampaio
O Brasil enfrenta um cenário de endividamento elevado em diferentes áreas da economia. Governo, famílias e empresas atingiram níveis recordes de dívida e inadimplência, segundo dados reunidos pelo jornal Estadão.
No setor público, a dívida bruta do governo chegou a 81,93% do PIB. O percentual é mais de 50% superior ao registrado há uma década, quando estava em torno de 53% do PIB.
Entre as famílias, o endividamento também atingiu o maior nível desde o início da série histórica, em 2010. Atualmente, cerca de 82% das famílias brasileiras estão endividadas. Até 2018, esse percentual ficava próximo de 60%.
O cenário também preocupa no setor empresarial. Cerca de 9 milhões de CNPJs estão inadimplentes no país. Entre as empresas de capital aberto, a dívida líquida passou de R$ 719 bilhões para R$ 1,3 trilhão em seis anos, uma alta de aproximadamente 89%.
Dívidas afetam toda a economia
Quando governo, empresas e consumidores estão mais endividados ao mesmo tempo, os efeitos podem aparecer em várias partes da economia.
Com os juros elevados, empréstimos e financiamentos ficam mais caros. Isso pode dificultar o acesso ao crédito para famílias e empresas e reduzir o dinheiro disponível para consumo e investimentos.
Para as famílias, o aumento das dívidas também significa uma parcela maior da renda comprometida com prestações e juros.
Já as empresas enfrentam custos maiores para financiar suas atividades, investir ou ampliar os negócios.
Governo também muda estratégia
Diante do cenário fiscal, o Tesouro Nacional reformulou o Plano Anual de Financiamento e aumentou a participação prevista de títulos públicos ligados à taxa Selic.
A mudança ocorre em um momento de maior resistência dos investidores aos títulos corrigidos pela inflação.
O cenário mostra que o endividamento não está concentrado em apenas um grupo. Governo, famílias e empresas enfrentam, ao mesmo tempo, uma pressão maior das dívidas, o que pode influenciar o crédito, o consumo e os investimentos no país.


